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Ed Scander explica campanha #somostodosCBSK


Nos últimos dias uma polêmica explodiu no cenário brasileiro do skate. O Comitê Olímpico do Brasil rejeitou o pedido de filiação da Confederação Brasileira de Skate e reconheceu a Confederação Brasileira de Hóquei e Patins como representante do skate no país.

A entidade de patinadores brasileiros se aproveitou de um acordo entre a Federação Internacional de Skate e Federação Internacional de Roller Sports, que somaram forças para o skate ser incluído nos Jogos Olímpicos de Tokyo em 2020, para pleitear o direito de representar os skatistas.

A Tribo Skate conversou com Ed Scander, vice-presidente da CBSk, que explicou o acordo da ISF com a FIRS e falou sobre a campanha #somostodosCBSK, lançada para chamar atenção do COB.

EdScander

Ed Scander, vice-presidente da Confederação Brasileira de Skate. (Sidney Arakaki)

Por Sidney Arakaki

Quer dizer que o COI rejeitou o pedido de filiação da Confederação Brasileira de Skate?
Logo depois do anúncio da inclusão do skate nas próximas Olimpíadas, a Confederação Brasileira de Skate fez uma solicitação, através de um email, para o Comitê Olímpico do Brasil, o COB, pedindo a filiação para que a CBSk fosse reconhecida como a entidade que regulamenta o skate brasileiro. Um fato que já acontece há 17 anos. E que ela pudesse participar do processo olímpico nos próximos anos, até 2020.

Após várias trocas de emails, o COB negou o pedido de filiação argumentando que a Confederação Brasileira de Skate não era filiada a uma entidade internacional filiada ao Comitê Olímpico Internacional. Mesmo a CBSk comunicando e mandando provas do COI que há um acordo entre a Federação Internacional do Skate com a Fédération Internationale Roller Sports (FIRS – Federação Internacional de Roller Sports), na qual a prioridade de filiação junto aos comitês olímpicos nacionais, em cada país, seria para as entidades filiadas à ISF. E os países onde não há filiados, a ISF, aí sim, estes deverão se filiar à FIRS. Devido à lentidão do COI em comunicar ao COB, aqui no Brasil, sobre essa decisão, o COB, seguindo a regra básica – talvez por falha dela, não ter entrado em contato com o COI, para saber dessa situação, negou o pedido da CBSk e acabou aceitando o pedido da outra entidade.

Isso acabou desagradando todo meio skatístico. Por causa disso, e após conversa com várias personalidades e dirigentes de associações e federações espalhadas pelo Brasil, foi criado um grupo no (aplicativo) WhatsApp com mais de cem participantes. Foi definido que haveria uma campanha nacional encabeçada pela CBSk, que teve adesão dos principais skatistas do Brasil.

O certo não seria o próprio COI intermediar, pegando o Marcelo Santos, presidente da CBSk, e apresentar ao Carlos Nuzman do COB, ou algum representante do COB, pessoalmente? Não deveria ser esse o procedimento, ao invés de email ou telefone?
Seria o ideal. Mas o que acontece, é que como o COI é uma entidade mundial, eles têm muitos países a atender. Eles têm uma forma de comunicação diferente. Então, o que está acontecendo, é que a CBSk está cobrando a ISF, através de seu diretor executivo Josh Friedberg, que está cobrando do COI o que foi acordado entre as entidades que formam a comissão do skateboard para as próximas olimpíadas. Que é formado pelo Neal Hendrix e Gary Ream, da ISF, mais o diretor executivo da Federação Internacional de Roller Sports.

Criando esse acordo, o COI ficou de comunicar a todos os comitês olímpicos nacionais, de todos os países, que a preferência seria para as federações e entidade filiadas à Federação Internacional do Skate. Está sendo cobrado isso, e mesmo que não houver uma aproximação do COB com a CBSk numa reunião entre presidência via o COI, pelo menos esse comunicado, que a partir daí vira um regulamento e resolve o problema. Se for possível uma reunião presidencial, melhor ainda. Pelo menos que o COI se manifeste pro COB aqui no Brasil e mostre o acordo que foi feito, que deve ser cumprido.

Essa campanha foi lançada na internet semana passada e já ultrapassou sete mil assinaturas. Qual é o objetivo dela?
Essa campanha começou na sexta-feira e ela é conectada a um email da presidência do COB. Não do presidente Carlos Nuzman, mas dos assessores. Cada vez que alguém assina o nosso abaixo-assinado, automaticamente cai um alerta para a presidência do COB.

Então está entupindo a caixa de alguém do COB.
Provavelmente. E a intenção dessa campanha é mostrar pro COB a popularidade e aceitação da CBSk perante as outras entidades de skate que existem no Brasil, pra mostrar a legitimidade da entidade. Essa campanha só está no começo. Ela vai durar semanas, talvez meses. E quando houver uma conversa ou nova comunicação entre CBSk e COB, vai estar bem claro pro Comitê Olímpico do Brasil, que realmente a CBSk tem aceitação dos praticantes do skate. Que não acontece facilmente com outras entidades. E mostrando que todos skatistas profissionais estão com a CBSk, vai ficar difícil o COB poder manter uma postura na qual eles não aceitem um pedido.

Já rolou algum contato com algum representante dessa confederação de patinadores?
Não. Desde que soubemos que eles começaram a usar o skate, só teve a troca de um email. Aproximadamente um ano atrás, o Marcos Hiroshi, skatista profissional que também trabalha na mídia, enviou um email para CBSk estranhando o fato que lhe foi oferecido um campeonato brasileiro de street. E após uma pesquisa, descobrimos uma entidade que estava oferecendo esse campeonato para prefeituras. E por causa disso a Confederação Brasileira de Skate mandou um email para essa confederação indagando por que eles estavam fazendo isso, e explicando que a CBSk já é reconhecida pelo Ministério dos Esportes e pela ISF como a entidade do skate no Brasil. E eles simplesmente falaram que também eram administradores do skate no Brasil e não precisavam dar satisfação pra CBSk. Nunca mais houve um contato, uma conversa com essa entidade.

Você lembra quem foi a pessoa que respondeu o contato?
Foi o presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, senhor Moacyr Neuenschwander Junior.

#SomosTodosCBSkPor que os skatistas precisam assinar essa campanha?
É importante ter o maior número possível de participação da campanha, pra mostrar qual é a entidade legítima do skate brasileiro. Quem está há muito mais tempo trabalhando pela evolução do skate, não pensando porque agora vai participar do processo olímpico ou se vai ter alguma verba. Na verdade não há garantia nenhuma se vai ter verba pública ou investimento de empresas fora do mercado.

Mas, simplesmente, porque a Confederação Brasileira de Skate, independente do processo olímpico, vai continuar fazendo e desenvolvendo a favor do skate e dos skatistas. Se até hoje, mesmo não tendo acesso a verbas públicas e nem patrocínio de marcas, a CBSk continua trabalhando em prol do skate. Diferente do que muitas pessoas pensam, a única forma dos governos municipais, estaduais ou federal ajudar o skate, é fazendo convênios para eventos, e esses eventos precisam fazer prestação de contas. Nenhuma parte do dinheiro fica pra entidade, é tudo usado para pagamento de estrutura, premiação etc.

Até porque, as pessoas não entendem e a CBSk sofre uma agressão verbal de algumas pessoas, através das redes sociais. Elas não entendem que a Confederação Brasileira de Skate não é simplesmente as pessoas que estão hoje na diretoria, na presidência. Ela é uma rede de colaboradores, na qual há centenas de pessoas que fazem parte. Tem uma diretoria com seis pessoas, mas também tem um conselho fiscal com mais seis pessoas, tem um tribunal de justiça desportiva com mais nove pessoas. Tem comitês com skatistas profissionais de todas modalidades: slalom, freestyle, downhill speed, downhill slide, bowl, vertical, street. Essas pessoas que fazem essa rede colaborativa são pessoas que andam de skate há bastante tempo.

Você mesmo já foi do conselho fiscal da CBSk, por mais de uma gestão. Cesar Gyrão também. Grandes skatistas fizeram parte dessa gestão da CBSk. E essas pessoas que passam pela CBSk, têm um mandato a ser cumprido, são quatro anos. Nesses 17 anos de existência da CBSk teve quatro gestões diferentes. Muitos skatistas que são grandes personalidades do skate fizeram parte da CBSk. Além do Alexandre Vianna, Fábio Schumacher, Cris Fernandes, Marco Cruz, Jeorge Simas, Cristian Sapo, Cesinha Chaves, enfim, é uma lista muito grande de skatistas que fizeram parte da diretoria da CBSk. Comitê então… Sandro Dias, Lucas Xaparral, Wagner Ramos, Edgard Vovô, Sergio Yuppie… Quem cuida da CBSk na parte administrativa ou da parte técnica, é o pessoal do skate, e não são quaisquer skatistas.

São OS SKATISTAS, com letras maiúsculas. Então é muito importante todo mundo participar da campanha, pra ficar bem claro, principalmente pra quem não conhece a cena do skate. Ou seja, o pessoal do COB, imprensa não especializada, Poder Público e a sociedade. Mostrar quem, há 17 anos, independente se tinha verba ou não, está tentando fazer o melhor pelo skate. É lógico, não é como todo mundo gostaria. Nem nós próprios da diretoria ficamos contentes com as conquistas, que são mínimas perto do tamanho do skate brasileiro.

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Assine a campanha #SomosTodosCBSk clicando no link

https://www.change.org/p/comit%c3%aa-oli%c3%admpico-do-brasil-cob-campanha-somostodoscbsk?utm_medium=email&utm_source=notification&utm_campaign=petition_signer_milestone

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Por Redação Tribo Skate
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