Entrevista com Matanza: duas décadas em 10 perguntas Música

Entrevista com Matanza: duas décadas em 10 perguntas


Matanza completa duas décadas de seu rock agressivo com letras criativas, que exaltam os anti-heróis em enredos pra lá de incomuns. Quase uma instituição no cenário independente, completaram mais uma rodada do ”Matanza Fest”, o seu próprio festival, que percorreu diversas cidades do país nos últimos meses. O guitarrista, designer e mentor da banda Marco Donida encontrou um tempo em sua movimentada agenda. Rápido e mordaz, tal qual as músicas da banda… Toma!

Texto: Guto Jimenez / foto: Rafael Cruz

Matanza

20 anos na estrada é algo pra poucas bandas boas. Vocês tinham ideia de que chegariam tão longe?
Na verdade nós nunca pensamos muito nisso porque acima de tudo está o nosso amor pela música, amor pelo que fazemos e o compromisso com todos que estão conosco nessa batalha. Mas acho que o fundamental é o respeito que temos uns pelos outros dentro da banda.

E as influências, continuam sendo Johnny Cash e punk rock? O que mais foi incorporado à lista?
De fato a banda partiu da combinação de Johnny Cash com The Exploited, mas a lista de influências desde o início foi enorme. Bota aí muito Motörhead, muito thrash metal, Irish, psychobilly, Mano Negra… Ouvimos muita coisa e tudo acaba, de alguma forma, acrescentando algo à nossa música.

Desde o início da carreira, o Matanza vem trabalhando com o produtor Rafael Ramos. Qual é a maior influência dele na sonoridade da banda?
O Rafael, antes de ser um grande produtor, é um grande amigo. Sempre tivemos uma ótima relação, de total liberdade criativa. Ele entende nossas ideias, nossas referências, como também as nossas limitações e sempre nos ajudou a atingir o nosso melhor. Considero todos os álbuns do Matanza muito bem produzidos, com excelente sonoridade e devemos isso a ele.

Vocês produzem um belo esporro sonoro e fazem shows memoráveis, atingindo um público que cada vez aumenta mais. Seria essa a fórmula pra uma banda independente atingir o reconhecimento do grande público?
Não acho que exista fórmula, mas trabalho honesto, realizado com máximo esforço e dedicação. O público que uma banda possui é consequência direta disso. Não se pode enganar as pessoas por muito tempo com perfumarias, músicas pagas na rádio ou ações de marketing mirabolantes.

O que faz com que elas comprem seu álbum e compareçam no seu show é o seu conteúdo. Tudo o que temos devemos ao nosso público, então o mínimo que podemos fazer é sermos honestos e trabalhar muito para apresentar o melhor material que for possível.

As letras são um caso à parte, são tão bem elaboradas que chegam a ser quase visuais. Já pensaram em fazer um roteiro pra um filme ou pra uma animação?
As nossas letras têm mesmo um elemento narrativo forte, mas não acredito que elas funcionem tão bem em outro formato. Pode ser que venhamos a investir em algo assim no futuro, mas por enquanto, não.

A banda foi a primeira a lançar um dual disk no Brasil, o “To Hell With Johnny Cash”. Como isso marcou a trajetória de vocês?
Sinceramente? Pra nós, não fez a menor diferença (risos)!

Atualmente, o Matanza tem uma linha de produtos que varia das inevitáveis camisetas até cervejas artesanais, pimentas e decks de skate. O que mais vocês pretendem lançar no mercado?
Sabemos que o merchandise é algo muito importante, tanto na divulgação como também fonte de renda, mas o que nos move a fazer qualquer coisa nesse sentido são as parcerias. Podemos vender até tamancos do Matanza desde que haja, entre nós e quem os produz, amizade e confiança. É claro que no material obrigatório como camisetas, por exemplo, procuramos sempre os melhores fornecedores, mas a regra ainda se aplica. Se não houver parceria, não tem negócio.

Matanza beer Fest saint patricks day SP
Informações sobre o evento acima no link:
https://www.facebook.com/events/105943976571082/

O Matanza já participou de tributos aos Secos & Molhados e aos Beatles. Algum outro artista que vocês gostariam de homenagear?
Nós entendemos que só vale fazer um tributo a um artista se a sua versão acrescentar algo à original, se a sua leitura levar essa música pra algum outro lugar. Por isso consideramos o nosso tributo ao Cash um projeto muito bem sucedido. Partindo desse princípio, temos um leque de opções bastante reduzido porque não nos atrevemos a mexer em músicas que consideramos perfeitas, como as do Slayer ou do Motörhead, por exemplo. Mas, pra não deixar de responder à sua pergunta, seria ótimo de participar de um tributo ao Freddy Fender!

Eu soube que vocês irão fazer uma turnê pela Costa Leste dos EUA e Europa. O que vocês esperam dessa viagem?
É mesmo? Quando será isso? Vou adorar sair do país! (risos)

O que podemos esperar do Matanza no futuro? Dá pra revelar algum plano secreto diabólico pós “Pior Cenário Possível”?
Um novo DVD. Estamos trabalhando nessa ideia pra 2017. Vamos ver o que acontece…

Por Redação Tribo Skate
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