Garage Fuzz: 25 anos com princípios What's Up

Garage Fuzz: 25 anos com princípios


O Garage Fuzz é com certeza uma das bandas mais íntegras da cena independente brasileira. Nunca se rendeu a nenhuma moda e se manteve fiel aos seus princípios, criando assim uma identidade sonora e estética muito peculiar.

Conversamos com o Alexandre Farofa, o vocalista, e ele contou um pouco sobre esse tempo todo tocando sem parar, em tours e ensaios diários.

Texto: Helinho Suzuki / foto: Fabio Bitão

25 anos de GF! Fazendo uma rápida análise na linha do tempo de vocês, qual o saldo dessa trajetória até então?
Acho que passou rápido, até quando você pensa que foram 25 anos e penso que fizemos o que tínhamos que fazer no período entre as décadas de 90/00. Escutamos muitas teorias de bandas e pessoas e vimos uma realidade muito diferente na prática.

O saldo da trajetória é que tem uns atalhos aí no caminho que você pode até pensar em pegar, mas não era para nós e arcamos com as nossas escolhas para continuar interagindo com as mudanças na cena, e conosco mesmo como amigos e banda.

Olhando para trás, tem algo que vocês deixariam de fazer ou teve alguma oportunidade que vocês acabaram deixando de lado?
Claro que sempre vem alguma dúvida e acho que o importante é ir aprendendo com os erros, mas acho que oportunidades existiram de certa forma, mas algumas consequências já nos mantinham na linha, então não acho que nos arrependemos de alguma escolha não feita.

Em 94 vocês assinaram com a Roadrunner e lançaram o Relax. Como foi a experiência de estar em uma major? Qual a lição que vocês tiraram enquanto estavam por lá?
Todo mundo pinta a Roadrunner como uma grande gravadora, mas na época a operação deles estava longe do que realmente era uma gravadora grande no Brasil. Foi muito bom para o início; produção legal, atenção em uma tour grande até para a época na nossa cena, distribuição…

Acho que ali foi quando entendemos que existe uma conta diferente para fazer discos e retornar todo o investimento e estar em um selo por ideologia.

Apesar de Relax ter sido lançado em países da Europa, por que nunca rolou uma tour por lá?
Na época tivemos um suporte legal, focamos aqui no Brasil e construímos um esquema para nós que se sustenta até os dias de hoje. Acho que esse foi o lance principal do porquê nunca excursionamos no exterior.

A tour com o Seaweed acredito que foi uma das mais legais e foi em uma época que era bem difícil excursionar por aqui. Quais são suas lembranças? Tem alguma história inédita pra gente?
Sim! A banda deles também estava em um fim de relacionamento e estavam bem sentimentais e receptivos. Só fomos saber que era um dos últimos shows deles em Jundiaí em um domingo, se não me engano. Eles se despediram entre eles e falaram que não iam mais tocar juntos, foi um momento único. Depois o Alan Cage (baterista do Seaweed) e o Aaron Stauffer (vocalista) ficaram mais uns dias na minha casa. Foi muito foda, sem dúvida uma das melhores tours que fizemos na vida.

Vocês sempre tiveram grandes gaps entre um disco e outro, tipo, tardavam mas não falhavam. O que você vê como principal motivo de levar tanto tempo para gravar um novo disco?
O processo de composição mesmo. Acho que não é tão fácil tocar e executar as ideias que nós temos logo de prima, e acho que também tem o lance de se policiar para não soar óbvio dentro do nosso estilo; então acho que isso leva um tempo e não tem como fazer um disco por ano ou até mesmo dois.

Hoje, o mercado está bem diferente da época em que você gravava um disco, lançava e vendia cópias. Como lidaram com a mudanças? Vi que lançaram o disco no Spotify antes de sair a versão física.
Acho que hoje em dia temos mais ferramentas para fazer o lance mais independente funcionando, mas isso não quer dizer que será mais fácil. Eu sou a favor do digital desde o final dos anos 90, quando trabalhei em uma das primeiras empresas que adotaram o formato de mídia digital e streaming no Brasil. Acho que não tem como fugir mais, você pode até tentar manter o lance puro como em 1983, mas…

Vocês também estão investindo bastante em outros formatos como vinil e cassete.
Sim. Relançamos em parceria o Relax e o Comfortable Moments, pela Anda Anda e Spicoli Discos, o Turn the Page pela Burning London e a primeira demo tape em versão k7 pela Outprint. Queremos fazer todo o catálogo disponível em tiragens limitadas, em vinil e cassete, nos próximos anos.

Outra novidade é o Split com o Againe. Vocês são amigos de longa data e finalmente vai sair essa parceria juntos. Como rolou essa ideia?
Em 2014 e 2015 fizemos alguns shows juntos, aí na época estava saindo o relançamento da Anda Anda e Spicoli.

O Fred da Submarine estava marcando os shows dessa dobradinha, aí a ideia do Split foi natural mesmo, surgiu de forma espontânea, ainda mais quando estávamos relançando o disco que passamos juntos em um selo em 97, que era a Spicy Records, do Rafael Crespo, praticamente 18 anos depois.

Fale um pouco sobre o novo álbum, Fast Relief. Como foi o processo de gravação, temáticas das letras e o que influenciou o álbum?
Os lançamentos mais atuais da banda já tinham sido gravados nos últimos anos, no estúdio PlayRec do Nando Bassetto, então escolher esse caminho foi um processo natural.

As músicas foram compostas em um longo período de tempo, talvez uma média de 6 anos, então a execução na hora de gravar estava bem ensaiada. Os temas acho que caminham com a transição da banda, é o disco que gravamos depois dos 40 anos então tem alguns questionamentos.

O Garage Fuzz foi uma das bandas independentes que ficou por mais tempo com a mesma formação. Como vocês lidaram com a saída do Nando Zambelli? Acredito que foi bem difícil para ambos os lados, certo? E o como a bagagem musical do Nando Bassetto somou para a banda, já que ele veio de uma cena diferente do que o GF está inserido?
Sim, o Zambelli foi meu amigo de escola. Entrou na banda bem no início, criou o estilo dele, mas acho que pelo momento que ele vivia, com certeza fez a escolha certa.

Realmente a parte da banda de tocar durante os finais de semana quando você tem uma empresa e família não é fácil, e realmente cai naquele lance da vida que é fazer as escolhas.

O Bassetto, nós nunca tínhamos tocado junto, mas nos conhecíamos ao mesmo tempo que o Garage Fuzz existe. Antes mesmo do Garage existir, dividimos sala de ensaio em 1989, com uma banda instrumental que ele tocou, e ele sempre foi gente boa.

Acho que a ideia foi que ele tocasse com o estilo dele e demos liberdade de criação também desde o início, logo no Ep Warm and Cold.

Para finalizar, aquela lenda urbana que o Garage Fuzz ensaia todo dia é verdade (risos)?
Sim! Ensaiamos 6 horas por 6 dias da semana, às 6 da tarde (heheheheh).

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