Guega Cervone fala sobre profissionalização e vídeo Província What's Up

De Cubatão para Goiânia, Guega Cervone fala sobre profissionalização e vídeo Província


Em novembro do ano passado Guega Cervone teve seu pro-model lançado pela Cria Skateboard. A surpresa aconteceu no dia da première do vídeo “Província”, da Cria, marca goiana que o acolheu na mudança para a cidade.

Em 2014 Guega decidiu arriscar sair de Cubatão e foi morar em Goiânia. Quase três anos depois, vive totalmente do skate, trabalhando numa das mais importantes skateshops do Brasil.

Assista “Província”, vídeo da Cria Skateboards


Por Sidney Arakaki

 

Você foi decidido pra morar definitivamente em Goiânia?
Eu vim pra fazer uma experiência. Estava meio desmotivado com o skate, estava precisando de uma grana e precisava trabalhar. Fiz uma proposta pro Daniel (Atássio), dono da Ambiente (skateshop), dizendo que eu queria trabalhar e ele viu a possibilidade. Foi super da hora, porque aqui tem uma cena de skate, tem bastante camaradas, tem a possibilidade de crescer dentro do meu emprego sem deixar de andar de skate, sem deixar de fazer o que eu curto.

E está sendo muito diferente da sua vida em Cubatão?
Sem dúvida. Cubatão eu só andava de skate, não tinha responsabilidades, trabalho, obrigações. Eu podia encher a cara e no outro dia dormir. Hoje em dia tenho uma vida regrada. Eu saio do trabalho, ando de skate, tomo minha cervejinha mas preciso dormir cedo.

Você está trabalhando exatamente em qual função na loja?
Eu sou gerente administrativo. Basicamente, eu cuido do financeiro da empresa, auxilio nas compras. Eu negocio prazos e pagamentos com os fornecedores. Minha função clara é financeira. São três lojas, então está tomando uma proporção legal.

O Daniel tem andado de skate com você?
A gente anda todas terças e quintas na nossa pista. É sagrado, terça e quinta precisamos andar. Se não andar, toma tapa.

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Wallride. (Cortesia Cria Skateboards/Ademar Badê)

Qual sua história com a Cria Skateboard?
A Cria é uma marca de Goiânia, que deve ter uns quatro ou cinco anos. E o Ademar Badê, dono da marca, já fez vários vídeos de skate, fez várias produções. E eu tinha patrocínio da Evolution de Santos, sendo que eu estava morando em Goiânia. Eles estavam mandando material pra cá, sendo que não vendia a marca aqui. Então não estava sendo comercialmente viável. Eu estava andando bastante com o Badê, filmando e tal. E rolou natural, ele começou a me dar uns shapes, me identifiquei com a marca e eu entrei na Cria.

Como foi ser surpreendido com o pro-model?
Eu tinha vontade, já tinha trocado uma ideia com o Badê. E no dia da première, antes de começar o vídeo eu recebi o shape. Tomei um banho de cerveja, daquele jeito, tudo que tem direito. Aquela bagunça generalizada.

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Festejando o pro-model com a mãe. (Arquivo pessoal)

Então você já imaginava.
Eu tinha uma desconfiança. Mas é diferente quando você recebe o shape e está escrito seu nome na parada. É uma sensação foda. Você tem um material que vai guardar pra sempre, mostrar pros seus filhos, seus netos.

Você já imaginava que ia fechar o vídeo?
Não imaginava. Eu imaginava que ia ser o Juliano (Amaral) ou o Barata (Gleybson Felipe). Eu não imaginava que eu ia encerrar e foi da hora quando eu vi o vídeo, a última parte.

No seu caso, que é um skatista que sempre foi focado em gravar vídeo e não competições, faz diferença ser um profissional reconhecido pela CBSk?
É uma situação engraçada. Na América, que é o berço do skate, pra você ser um profissional precisa ter um modelo de shape assinado. Eu tive esse modelo de shape assinado. Tem essa importância da confederação ter um campeonato regional aqui e eu não poder ser juiz, alguma coisa desse tipo. Porque, competições em si eu não tenho vontade de competir. Eu não me encaixo nesse padrão. Mas eu também falhei, não sabia da data pra mandar a documentação. Eu sou Pro falsificado (risos). Ou não, né? Ou Pro original, de verdade.

Então nem chegou a mandar seu “currículo” pra CBSk?
Não mandei. Eu fui dar uma olhada no site e tinha passado a data de enviar a documentação. Acabou que entrou o final do ano, aconteceu um monte de coisas. Comércio no natal demanda uma atenção. Depois eu ligo pro Ed (Scander, vice-presidente da CBSk), ver se ele me ajuda.

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Ollie em Goiânia. (Cortesia Cria Skateboards/Alexandre Cotinz)

Você está só com o patrocínio da Cria?
Da Crail, da De.Part e da Ambiente. E tenho apoio da RVCA Brasil.

Então vai ter parte sua no Crailers?
Eu mandei umas manobras pro Eric (Veloso, videomaker da Crail), não sei o que ele vai usar, mas tem bastante coisa. Mas o vídeo da De.Part tá pronto! Essa é a novidade. Logo mais première em São Paulo.

Então o vídeo da De.Part não virou lenda!
Você acredita que chegou no meu email o link? Vai rolar a première em São Paulo, tá pronto!

Tá pronto mesmo?
Inacreditável, mas tá pronto! Tá animal, você vai curtir pra caralho. Na real, é o vídeo do Akira (Shiroma) com participação dos amigos.

Por Redação Tribo Skate
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