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Luiz Ferrarini e sua história de superação


Em 2010 o skatista curitibano Luiz Ferrarini sofreu um trágico acidente quando jogava bola com os amigos. Despencou da sacada de um prédio e caiu de cabeça de uma altura de aproximadamente 4 metros.

Luiz teve lesão medular e traumatismo crânio encefálico, fazendo com que perdesse vários movimentos do corpo. Ficou tetraplégico parcialmente. “Consigo mexer do pescoço para cima e alguns movimentos do lado esquerdo, por exemplo mexer a mão, mas não consigo segurar um objeto. Uso cadeira de rodas e me comunico na internet usando o toque da boca no mouse adaptado. As limitações não são reversíveis, mas é possível ter alguns ganhos com as terapias”, conta.

Luiz Fernando Ferrarini. (Arquivo pessoal)

Apesar do diagnóstico e suas consequências, o skatista não se deixou abater e concentrou suas energias para se dedicar a arte digital.

Em 2013 passei pelo Hospital de reabilitação Sarah Kubitschek em Brasília, onde tive contato com as diversas tecnologias inclusivas. Aprendi muitas coisas e mudei a forma de pensar meu diagnóstico. Lá eu participei de oficinas de artes e aprendi a usar o programa Art Rage para realizar artes com a temática do skate”, conta Ferrarini, que na época do acidente cursava o terceiro ano do curso de Ciências da Computação na Fundação de Estudos Sociais do Paraná e trabalhava num banco.

Familiarizado desde cedo com computação e dominando o programa de arte, Ferrarini fala que canalizou a energia para os trabalhos, “como se fosse uma válvula de escape”.

Na terapia de reabilitação neuropsicológica, uma das metas era conseguir viabilizar a arte como trabalho. E isso se tornou possível ao produzir com a ÖUS um modelo de tênis.

A marca lançou nesse ano uma colaboração com Luiz Ferrarini. O artista usou o pro-model Gian Naccarato como plataforma dos seus gráficos.

Tatuagem Skate Or Die de Luiz. (Arquivo pessoal)

Luiz diz que após o acidente mudou a forma de enxergar as coisas. “Ainda carrego a mesma essência, mas minha forma de ver o mundo mudou completamente. Não reclamo da situação a qual estou vivendo e aprendi com o tempo a aceitar aquilo que não posso mudar, a valorizar as pequenas coisas e a simplicidade da vida. Hoje penso que posso ajudar as pessoas a mudarem a visão do mundo, a dar mais importância aos pequenos detalhes do dia a dia sem que precisem passar pelo que passei”, diz o skatista, que quatro anos após o acidente tatuou Skate Or Die no braço como uma forma de homenagear uma das suas grandes paixões.

Atualmente, Luiz tem uma rotina diária que exige cuidados com uma equipe multidisciplinar. Fisioterapia, terapia ocupacional, neuropsicologia, psicologia e fonoaudiologia, que são distribuídos ao longo da semana.

Organizo meu tempo para fazer minhas coisas e pintar ouvindo um bom som. Busco inspiração no céu carrancudo de Curitiba, nos prédios, pessoas, paisagens. E nos poucos dias de sol, bato tudo no liquidificador e transfiro isso para as minhas artes”, explica o artista, que há dois meses começou a tocar gaita de boca, um plano que vinha de longa data, mas tinha dificuldade de encontrar um instrutor.

Além de ser uma forma de expressão, a gaita exercita o skatista. “Durante as aulas me transporto para um cenário de liberdade, sinto que estou vivo, que sou capaz de superar minhas dificuldades e meus pulmões também agradecem”.

O skate entrou na vida de Luiz Ferrarini aos 11 anos de idade. A capital paranaense sempre teve forte tradição em realizar competições e Luiz tem uma coleção de troféus e medalhas conquistadas.

O hoje skatista profissional Danilo do Rosário é um dos amigos que andava junto na infância. Danilo relembra que “os heelflips dele eram muito style!” e mostra uma foto deles no pódio de um campeonato em 2000 na capital paranaense.

 

Da esquerda para direita, Danilo do Rosário está em cima e Luiz Ferrarini é o terceiro embaixo. (Marcos Bollman)

Ele chegou a morar na Nova Zelândia, e dividiu o skate com surf e outros esportes de ação populares por lá.

Mas é no skate que o skatista fez seus grandes amigos, diz que aprendeu bastante coisas e guarda boas lembranças.

Gosto de receber amigos em casa e sempre que posso vou até eles, fazemos um churrasquinho de gato e depois é só alegria”, finaliza o curitibano.

Troféus e medalhas de Luiz Ferrarini. (Arquivo pessoal)

Blunt to fakie na pista do Jardim Ambiental, em Curitiba. (Arquivo pessoal)

Galeria de artes de Luiz Ferrarini

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Por Redação Tribo Skate
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