Alex Carolino fala sobre seu canal no Youtube

01 de março de 2017 ● POR Redação Tribo Skate

Em 2009 Alex Carolino iniciou um projeto chamado “No rolê com Carolino”, um canal no Youtube com vídeos mostrando suas sessões. Foi um modelo de mídia precursor, oferecendo aos fãs uma linguagem intimista, com bastidores do seu dia a dia e o ‘lado b’ de turnês pelo Brasil, Europa e EUA. Um formato que alguns anos depois se tornou tendência mundial entre skatistas para criarem seus próprios canais.

Mas a prioridade de Carolino sempre foi andar de skate profissionalmente. Dividir as sessões com o lado “Youtuber” pode atrapalhar, tirando o skatista do foco em projetos em que demanda atenção como partes de vídeo. “Não quero fazer qualquer coisa, em qualquer lugar. Quero fazer um bagulho legal, que eu me sinta bem e que vá de encontro com o que quero. Ir pro Rio de Janeiro, pra Nova York, quero ir pra China, quero ir pra lugares que  ainda não fui, tipo Dubai. Quero produzir nesses lugares. E também nos lugares dos quais eu vim, nos lugares que eu cresci”, comenta Alex durante uma entrevista para o site da Tribo Skate.

De passagem por São Paulo, o skatista conversou com a Tribo Skate sobre a história do seu canal.

Por Sidney Arakaki

Você começou com o canal em 2009. Você se lembra como surgiu a ideia?
Surgiu da ideia que eu sempre gostei, de editar as minhas imagens, mexer, filmar. Mas eu não tinha um equipamento pra fazer isso. E eu estava próximo de uma viagem para os EUA, ia correr o Tampa Pro, e depois ficar em Los Angeles um tempo. Fazia um tempo que eu já estava na DC Shoes Brasil, aí o Reco (Robson, marketing da DC Shoes Brasil) tinha uma camerazinha Flipcam. Ele falou, “tem essa câmera pra você levar e registrar suas coisas“. Fiquei pensando no nome, levar a galera junto pro rolê, mostrar o meu rolê, e virou ‘No Rolê com Carolino’. Daí que surgiu. Aí comecei a fazer e postar.

Na época não tinha nenhum skatista que fazia isso.
Não que eu lembre. Que fazia tudo acho que não.

Mas não chegou a ser uma exigência da DC Brasil.
Não, não. Foi algo espontâneo, que acabou acontecendo com uma ajuda dos dois lados e um interesse em comum.

Você se puxou também em termos de qualidade de filmagem, investiu em equipamento profissional bom.
Investi nisso na época que eu comecei a achar que seria interessante ter mais recursos pra fazer a parada de uma outra forma. Só que com o tempo tudo vai mudando. E, pra quem é Youtuber, pra quem está na rua, precisa também ter fácil acesso ao equipamento. Equipamento leve, uma parada que seja fácil você levar. O equipamento que eu fui juntando pra fazer o ‘No rolê’ hoje eu nem uso, porque é um equipamento que eu deixo em casa pra fazer outras coisas. Tipo, pra gravar lá. Quando eu vou pra rua levo só o celular. Hoje eu faço tudo praticamente no celular. E quando tem algum colaborador também. Algum amigo que filma alguma coisa. Eu edito, só.

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Alex Carolino e sua câmera Flipcam em 2011, que gravou os primeiros episódios do “No rolê com Carolino”. (Sidney Arakaki)

Porque nesse tempo a tecnologia deu um salto gigantesco. Mal existia essas DSLR em 2009.
Ela saiu naquela época.

Você tinha uma Flipcam que era um aparelhinho de bolso, menor que um telefone, e que filmava em HD. Na época era uma revolução. Depois de um tempo lançaram o iPhone e a Flipcam morreu. Aí vieram as câmeras profissionais. E agora vieram os iPhones que fazem imagens tão boas quanto cinema.
A galera tá aí nesse ‘kick’ também. Mobile cinematographer, né? A tendência também é uma parada da hora. No celular você faz tudo. Filma, edita, publica. Hoje eu tô com a mochila com um celular, uma lentinha, tripezinho, estabilizadorzinho. Da pra fazer bastante coisas.

Tem vários episódios que você usa só o telefone hoje em dia?
Hoje, os últimos, praticamente só o celular.

Tem gente que só filma e contrata alguém pra editar.
Eu faço tudo. Porque eu gosto e tem o custo. Então é mais fácil eu fazer tudo. E eu faço do jeito que eu quero. Nas vezes que eu fiz uma parceria, produzi algumas coisas com o Leonardo Silva lá de Curitiba. Foi da hora. Como a gente tem uma sintonia, filma junto, faz os rolês juntos, ele sabia a essência e fez tudo certinho.

Mas o seu foco principal como skatista profissional é sempre produzir uma parte de vídeo, com manobras.
É aquilo; se você tem estrutura, fica tudo mais fácil. Você vai fazer uma viagem que o foco é filmar skate, e secundário seria visitas em lojas, mais comercial. E pro ‘No rolê’, se eu estiver nessa missão com videomaker junto e fazer tudo junto e registrar um pouquinho pra cada coisa, fica mais fácil. Mas se eu tiver que focar só pra fazer, demanda muito. Por isso que eu não coloco tanta energia pra fazer e ter toda semana. Eu sei que se eu fizer, acredito que com o tempo, criando conteúdo com periodicidade, certinho, você vai aumentar base de fãs, vai crescer. Mas tem que ver qual que é o foco. Hoje o meu foco, na real, não é ser Youtuber. Meu foco é ser skatista profissional, ser pai. Esse é o meu foco. O Youtube é mais um complemento. Pra muita gente é uma profissão. É o que eu digo quando estou ali produzindo, eu falo que quem não faz isso não imagina o trabalho que é. Ir lá, captar imagens, depois separar, editar, publicar, desenvolver textos e legendas, créditos, atualizar redes sociais… É um monte de coisas.

No começo você tinha uma referência, alguma inspiração pra produzir os episódios?
Não. Minha inspiração, na real, era sempre os manos que filmavam junto comigo. Eu sempre gostei de filmes, então eu brisava em fazer uns takes parados, depois montar. Mas não tinha uma referência.

Você lembra o que assistia no Youtube na época, o que te atraia?
Até hoje, eu consumo mais outras paradas no Youtube. Eu não consumo tanto skate.

O que você acha que vem daqui pra frente? Você consegue imaginar a próxima tendência?
Os ‘lives’ estão sendo da hora. Tô gostando muito, acho legal. Tu abre um canal ali direto com o que está acontecendo na sua vida, onde você está. É ‘live’!
No Youtube, Instagram, Facebook. Todas elas proporcionam esse live. E as redes sociais também acabam meio que se parecendo muito. Elas estão competindo tanto. Mas, com certeza, o Youtube ainda é diferente. Mas isso aí eu acho que é tendência. E mais e mais, quem é formador de opinião, influenciador, atleta, acho que a tendência é mais e mais a galera fazer isso. Antes a mídia saia de um lugar e era transmitida pra muitas pessoas, agora todo mundo é um canalzinho gerando conteúdo, gerando informação. Influenciando as pessoas. Acho que a tendência é essa.

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