Danilo do Rosário e Humberto Beto falam sobre critérios de profissionalização

20 de janeiro de 2017 ● POR Redação Tribo Skate

A Confederação Brasileira de Skate acaba de anunciar a lista de skatistas aprovados para competir profissionalmente nos eventos homologados pela entidade no país.

Em 2003, quatro anos após a fundação da CBSk, foram criados comitês de todas as modalidades, com skatistas profissionais experientes analisando históricos de skatistas amadores com a intenção de se profissionalizar e usufruir dos benefícios oferecidos pela confederação.

A Tribo Skate conversou com Danilo do Rosário, que faz parte do comitê de skatistas profissionais de street, modalidade com o maior número de pedidos de filiação, e Humberto Beto Oliveira, profissional desde 2000.

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Danilo do Rosário. (Cortesia Vans/Rodrigo Kbça)

Por Sidney Arakaki

DANILO DO ROSÁRIO

Você faz parte do comitê de skatistas que representam os profissionais que anualmente analisam os pedidos de profissionalização. 
Isso.

Desde quando, e como você se candidatou? Como foi?
Acho que foi em 2013. Na verdade, eu recebi um convite do Ed (Scander), vice-presidente da Confederação Brasileira de Skate, ele falou que estariam o (Lucas) Xaparral, Diego Oliveira, o (Márcio) Tarobinha e eles queriam contar comigo. Na hora eu já falei que estaria junto.

Você se profissionalizou em que ano?
O primeiro campeonato que eu corri como Profissional no Brasil foi em 2008, em Madre de Deus, campeonato da Doce.

Você passou por esse processo também?
Não. Eu já havia participado de vários eventos fora e estava bem colocado no ranking mundial. E eu estava com patrocínio da Sugar, que me deu um pro-model. E a partir desse momento fui considerado profissional.

Como vocês analisam os candidatos? Tem algum direcionamento da CBSk ou cada um tem o seu critério?
Tem sim. O cara já tem que ter feito parte de vídeo, ter pelo menos uma matéria em revista, ter boas colocações em eventos. Mas eu acho que o profissional tem que ser uma pessoa influente naquilo que faz, tanto no skate como qualquer outro trabalho. Porque a partir do momento em que você está querendo passar para profissional, você vai ser um profissional na área. Você vai ter que ganhar pra isso, viver disso. Quer passar pra profissional, mas pra que? Os caras não têm um patrocínio, não têm uma empresa, nem estrutura familiar. O cara vai passar pra Pro pra falar que é profissional, não passar pra Pro porque ele vai ser um profissional ganhando pra ser um profissional. O básico que a gente pega ali com a galera da CBSk é mais ou menos isso.

Dá muito trabalho essa seleção?
São dias, semanas. Você tem que estudar, analisar, você recebe emails. Às vezes o seu voto é positivo pra um cara que você curte e acha que será o próximo Pro e acaba que não é assim, porque somos em quatro pessoas. Se empatar, a CBSk tem o critério de desempatar. Ela vai dar a análise da confederação. Então, empatar jamais.

E quando o cara é reprovado vocês dão um feedback pra ele?
Nem se o cara passar. Às vezes eu me sinto mal. Porque às vezes você gosta da pessoa, mas analisando o contexto de todos ali, você acaba vendo que não é a hora certa dele se tornar um profissional. Desses critérios acabam faltado alguns quesitos, não apenas um ou dois. Tipo, o cara não foi capa da revista, tudo bem. Mas teve uma parte de vídeo da hora, o cara é super influente na cidade onde ele mora, então é daí por diante. Outro quesito, também, que eu presto bastante atenção, é como o cara se põe. A postura. Acho que isso é o mais importante. Quer ser Pro? Tem que ter uma postura! Às vezes não precisa ser o cara que mais manobra. A postura dele vai dizer o que ele quer.

Ele pode ser reprovado pelo comitê da CBSk, mas nada impede dele ter um pro-model por uma marca de um patrocinador que já faz um trabalho. Se a marca considera que ele a representa, ele pode ser Pro. Ele não vai poder competir um evento da CBSk.
Ele só não vai ser oficializado pela CBSk. Eu acho que a CBSk não tem o direito de tirar o poder da pessoa de ser profissional. Ela só não vai ser oficializada. Se vai ter o campeonato da CBSk em Fortaleza, ele vai querer ir lá, não vai poder correr porque não está oficializado.

 

 

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Humberto Beto Oliveira. (Sidney Arakaki)

HUMBERTO BETO

Qual a importância de ter essa análise de um comitê?
Primeira coisa: é importante pra que? Pra não virar várzea! Querendo ou não, com o nome profissional você acaba carregando aquilo que você representa, no caso, o skate. Se não tem esse comitê, qualquer um é Pro. E qualquer um sendo Pro, qual que é a credibilidade, qual a imagem que você vai passar pra terceiros, por exemplo, se você for passar numa televisão ou numa mídia que não seja especializada em skate, uma revista de fora. Um cara que não sabe se comportar, a televisão vai generalizar. Então você acaba não dando credibilidade pro skate. Então é importante ter, e principalmente, é ter um comitê ativo, onde as pessoas andem de skate e entendam. Pessoas que realmente vivam aquilo.

E ter respeito da galera.
E ter respeito da galera! Até porque é uma chancela que o cara tá dando. Então, o comitê tem uma grande responsabilidade nisso porque, querendo ou não, ele tá dando chancela pra alguém levar algo que ele viva pra grande massa, pra outros setores. É importante ter justamente pra isso, pra não virar várzea. Porque, senão, qualquer um é Pro. Qualquer um chega e fala que é e pronto.

Você se lembra de como era antes do comitê?
O comitê foi feito um pouco depois de eu passar pra profissional. É que naquela época, eu lembro que tinham menos pessoas querendo passar.

Como era na sua época?
Tinham regras. Tinha que ter o aval da CBSk pra se inscrever nos campeonatos. Eu vi situações em campeonatos que teve cara que não conseguiu correr. Na época não tinha internet, era pastinha com fotos de revista, com colocações de campeonatos amadores. Imagina se qualquer um chega e fala que é Pro, vira várzea.

Chegou a ser várzea.
Chegou. Tanto que tem cara que se diz Pro e não é.

Veja também

Lista com os 30 skatistas profissionais oficializados pela CBSk