Klaus Bohms fala sobre pro-model pela Element Skateboards

29 de novembro de 2016 ● POR Redação Tribo Skate

Na última sexta-feira, a Element Skateboards promoveu uma festa para celebrar o lançamento do pro-model de Klaus Bohms pela marca. O evento aconteceu na 2Hype, no bairro da Mooca, em São Paulo, e reuniu amigos de Klaus que acompanham o skatista desde sua infância no Grande ABC Paulista.

Além do modelo de shape, a Element apresentou um vídeo para a ocasião.

A Tribo Skate esteve na festa e conversou com Klaus sobre o pro-model e o seu grande ano de 2016.

Por Sidney Arakaki

Pra você, o que significa ter um model sendo lançado por uma marca internacional?
A gente já está a um bom tempo falando sobre isso, e tentando fazer isso acontecer. E quando isso é por uma marca americana, o caminho é um pouco mais longo. A burocracia é um pouco maior, a parte de criação, e até de desenvolvimento do shape, fica um pouco mais complicado, porque a gente não está próximo. A gente está em lugares diferentes do mundo. Então, pra mim, é um momento super importante, porque a gente passou por muito tempo desenvolvendo isso. Então quando saiu, foi uma coisa de sensação de conquista e de alívio ao mesmo tempo. Ufa, deu tudo certo. A gente conseguiu fazer, apesar da distância. Conseguiu fazer uma coisa conjunta, com os caras lá dos EUA. A parte de criação e tudo mais. E talvez represente também uma coisa importante pro mercado nacional, pra molecada, pros caras que são amadores e que sonham viver do skate um dia. E sonham estar numa marca legal, que façam coisas legais, que tenha alguma remuneração. Uma coisa de importância e de mostrar que é possível viver do skate no Brasil. Escolher morar no Brasil e conseguir viver do skate. Talvez represente isso um pouco.

E é interessante que você se profissionalizou pela Element fazem nove anos e, antes desse shape, você já teve um ‘colorway’ de tênis pela adidas.
Foi. Pra você ver como é complicado. Eu já sou profissional pela Element há uns nove anos. E pra você ter ideia de como é complicado isso. Na época que teve o shape do (Lucas) Xaparral, que fazem quatro anos, naquela época a gente não conseguiu fazer os dois, ou da equipe profissional inteira. Que é uma coisa difícil de fazer acontecer. Então desde aquela época a gente tá desenvolvendo isso. Apesar de já ser possível fazer um shape por uma marca americana aqui no Brasil, é muito mais complicado. Isso demonstra porque eu já sou Pro há nove anos e só agora a gente conseguiu isso. E isso, também, dá pra ter ideia da importância disso tudo. E é verdade, o colorway da adidas saiu antes de eu ter um shape. Isso é uma coisa interessante, engraçada. Mas é um retrato do skate no Brasil. Talvez a gente esteja aprendendo, esteja chegando em algum lugar com isso. Seja um sinal.

Demorou bastante pro seu pro-model sair, porque já está desenvolvido faz um bom tempo.
O desenho não tá desenvolvido há tanto tempo. Mas a ideia de ter um pro-model já faz muito tempo. Desde quando saiu o do Xapa. Mas são muitas outras coisas envolvidas. Não é só o desenho. E tinha um lance também do meu shape também ser especial. Porque eu sou muito alto e eu gosto do ‘wheelbase’ grande. E os caras não tinham isso na fábrica. Então isso fez demorar muito. A gente desenvolveu o corte do shape pra mim, que é uma coisa meio fora do padrão, que minha perna é longa, eu gosto do shape longo. E o wheelbase é uma coisa difícil de mudar na fábrica, nas máquinas. Isso é um dos motivos pelo qual demorou muito.

A Element tem um gabarito com mais de 20 shapes diferentes. Muda formatos, medidas de wheelbase, nose, tail…
Mas mesmo assim, o wheelbase é o que menos muda. O wheelbase é a coisa mais difícil de mudar na construção de um shape. Há pouco tempo eles tem isso. Isso é uma coisa que há anos eu venho tentando fazer. E a gente conseguiu. Essa também é uma das conquistas. Além de ter um model, o símbolo que é ter um model pela Element, também é uma conquista pra mim de ter o shape perfeito, com as medidas que eu gosto e que eu sempre quis andar. Além do desenho e do simbolismo que isso tudo tem. A matéria mesmo, o shape do jeitinho que eu quero. Na verdade, isso aí que fez demorar mais, além de todas as outras burocracias envolvidas. Isso é o que fez demorar mais.

Quais são as medidas?
O wheelbase é 14,75″, a largura 8,5″. O padrão geralmente é 14″ ou 14,5″. 0,25″ faz uma puta diferença no wheelbase. O skate fica totalmente outro. E era o que eu precisava há anos.

Mas seu pro-model está chegando às lojas só com essa medida ou outras opções?
Tem outras medidas. Essa medida não é padrão de maneira alguma. Talvez algumas dessas medidas tenham em algumas lojas. Não sei direito. Mas se fosse essa medida pras lojas, pouca gente ia comprar pra andar, porque pouca gente tem a altura que eu tenho. A perna tão longa quanto a minha (risos). Então não faz tanto sentido pras pessoas terem um shape desse tamanho todo.

Fala um pouco do desenho.
Todo primeiro pro-model da Element é em homenagem ao lugar de onde o cara é. Então, o meu shape é, principalmente, em São Bernardo. Ele tem os elementos de São Bernardo. Tem a passarela, o prédio da Volks, uma coisa industrial no fundo. Mas é uma cidade fictícia, montada. E eu também coloquei uma coisa de Santo André, um imaginário de Santo André. Porque a história por trás do shape, pra criação do desenho, é que eu comecei a andar de skate em Santo André, mas a primeira pista que conheci foi São Bernardo. E na época eu estudava à tarde. Eu saia às 4h30 da manhã de Santo André e era uma hora de rolê. Eu ia andando de skate até a pista de São Bernardo. Isso durante um ano e meio, dois anos eu fiz isso. Umas três vezes por semana eu acordava às 4h30 da manhã e ia de Santo André até São Bernardo remando e via o sol nascer. Depois eu fui morar em São Bernardo, até pouco tempo atrás eu morei em São Bernardo. Então São Bernardo é o que está no meu imaginário de skatista. Aquela pista antiga do Paço, a galera de lá, Rudi (Robert), (Wellington) Eto, Xandi (Cavalcanti). Tipo, isso foi o que me deu uma injeção de skate na veia mesmo. Foi esse lugar e essa época. Então é isso. O vermelho e amarelo da madeira que colorem o nome é isso, pra representar o sol que nascia nesse horário que eu ia pra pista e tudo mais. E em cima é vermelho e amarelo, a madeira em degrade, e tem a frase que eu sempre escrevo no meu skate, que é “ferramenta de reinterpretar espaço”, e quando os caras tiveram a ideia de colorir o nome na própria madeira, fazer o nome vazado e a madeira colorir o nome, eu achei muito louco. E a primeira vez que eu olhei a parte de cima do shape, na hora veio a lembrança desse doce. Que nessa mesma época que eu ia pra pista às 4h30, eu pirava nesse doce. Minha mãe tinha bombonière, é um doce dessa época, que eu pirava nele, e pouca gente pirava nele. A maioria das pessoas não gostavam desse doce e eu pirava. E quando eu vi o shape eu lembrei desse doce. Eu falei, “a gente precisa comprar 500 desse doce e deixar jogados pela festa”. Veio na cabeça na hora que eu vi a cor da madeira do shape. E me remete a essa época.

Faz um resumo desse ano. 2016 foi um ano…
Foi bom, foi bom! Talvez tenha sido um ano que mais coisas aconteceram. Muitas viagens, a parte no vídeo da adidas, no “Away Days”. A parte no vídeo da Element, no “New World Element”, o model. Um monte de coisas, várias viagens depois do lançamento do vídeo da adidas. Tiveram as turnês de lançamento do vídeo, tiveram muitas coisas, muitas coisas aconteceram. Eu quebrei o pé também tentando terminar a parte do vídeo da adidas. Os caras vieram filmar em São Paulo e eu acabei quebrando o pé, a fíbula. Mas já me recuperei, já estou andando. Então foi um ano intenso de skater.

E mês passado você filmou durante semanas pro vídeo da Transworld que será lançado em janeiro de 2017. E vai ser uma extensãozinha de 2016.
Foi. Teve isso, filmar com o Kyle (Camarillo) pro vídeo da Transworld. Isso voltando a andar, me recuperando. Foi legal isso, que eu me coloquei em situações pra me forçar a voltar a andar, foi legal. Daí teve agora o shape saindo, e a parte pro shape é uma reedição de todas as coisas que eu filmei só esse ano. Algumas coisas do “New World Element”, algumas coisas do “Away Days” e algumas coisas novas. Talvez um minuto de coisa nova que eu tinha guardado.