Mario Lucena: Em busca da profissionalização

07 de janeiro de 2019 ● POR Tribo Skate

Mario Lucena tem 39 anos de idade e 30 de skate. O skatista de Fortaleza (CE) quer se profissionalizar pela CBSK em 2019.

Ao longo de todos esse anos, Lucena viajou para diversos lugares para filmar e competir, como Nova York e Tampa, nos EUA, Chile e Sul e Nordeste do Brasil.

Poucos skatista cearenses chegaram na categoria máxima do skate brasileiro, como Charles Reginaldo (falecido em 2010), Daniel Tavares, Ticiano Alvares, Suênio Campos, Felipe Malukin e Anderson Resende.

Lucena teve um carreira como Amador com altos e baixos. Em 2000, Mario resolveu correr o Circuito Nordestino e – apesar de ter perdido algumas etapas – terminou o ranking na décima colocação.

Infelizmente, em 2002, enquanto disputava a última etapa, o Mario sofreu um grave lesão que o manteve afastado do skate por 3 anos.

O cearense voltou e continuou na luta para garantir seu lugar entre os skatistas profissionais brasileiros.

Na entrevista abaixo, Mario Lucena conta um pouco mais sobre sua trajetória e porque merece tornar-se um skatista pro. Confira a video-part “Nunca é tarde” aqui ou no final da matéria.

TS: Tornar-se um profissional é a realização de um sonho?
ML: Sempre foi. Mesmo durante o tempo que fiquei parado por conta da lesão, eu ainda acreditava que conseguiria realizar esse sonho. Mas ele parecia muito distante, até pelo tempo que estava parado e pelo que os médicos me falaram sobre voltar a andar.

TS: Qual a importância de você se tornar profissional para o skate cearense?
ML: Como o próprio titulo do meu video diz, nunca é tarde. Acho que com a minha profissionalização, muitos skatistas daqui vão manter a chama acesa e ter um pouco de esperança na realização desse sonho, tendo em vista todas as dificuldades encontradas em nossa região.

Sem falar que – ao me profissionalizar – vou poder incentivar e influenciar muitos outros skatistas e difundir mais e mais o esporte por aqui.

TS: Porque você merece virar pro?
ML:
Acho que percorri todas as etapas até a maturidade no skate. Hoje vivo dele, e sou muito feliz trabalhando com o que sempre amei. Ser um atleta profissional não se trata somente de acertar manobras, mas principalmente ter postura profissional e saber ser uma influência positiva sempre.

TS: Você sofreu uma lesão e ficou afastado por 3 anos do skate. O que te fez não desistir de andar?
ML:
Antes de me lesionar eu não tinha outra vida a não ser andar de skate. Era 24 horas por dia, sete dias na semana.

Eu até tentei me desligar e comecei a mexer com carros de arrancada e pensar em outras coisas para não me deprimir tanto. Mas o skate nunca me largou, e tudo que eu fazia me colocava de frente com ele novamente.

Certa vez, eu já morava sozinho e tava sem andar a um tempão naquela vibe de passar a noite acordado. Fica tipo um zumbi no posto de gasolina conversando sobre carro até o amanhecer.

Umas 11h da manhã toca a campainha. Quando eu abro, era Og de Souza, Marcos Roberto, Thiago Rocha e o Robson, da Revista Method, me chamando pra fazer umas fotos e dar um rolê.

Eles não sabiam que eu estava sem poder andar, e eu – por ser muito introvertido – fiquei com vergonha de dizer que não podia. Chegando lá, o pico era muito sinistro! Era uma piscina rasa, e ao redor era tudo pedra portuguesa.

Lembro que tiveram a ideia de por um cavalete da praça de ferro muito alto pra vir da piscina e pular por cima. Eu achava que nem ia sair nada, mas fui lá e pulei. Pra mim, aquilo renovou as esperanças. A foto saiu na revista um mês depois com a entrevista.

Eu passei mais dois meses sem conseguir nem sentar de tanta dor pelo impacto e esforço, mas sempre encontrava alguém na rua que vinha me falar pra voltar, que gostava de me ver andando.

Isso ia me dando força até pra continuar fazendo exercícios de fortalecimento para me recuperar.

TS: Como foi o seu retorno depois da lesão?
ML:
Eu não estava sentindo dor havia um bom tempo, mas tinha medo que ela voltasse.

Eu ainda tinha o meu skate guardado embaixo da cama, mas com um shape muito velho. No meu aniversário, ganhei um shape da minha esposa, e ela me pediu que tentasse voltar pelo menos pra me divertir e exercitar.

Fui voltando aos poucos e não parei mais, só alegria.

TS: É verdade que quando começou a andar, você quebrou seu pé direito e teve que mudar a base pra regular?
ML:
É verdade sim. Eu comecei a andar num condomínio onde tinha muita criança e o skate tava no auge. Todos tinham skates, mas eles só andavam de joelho empurrando e era apostando corrida.

Eu não queria andar de joelho e decidi andar em pé e tentar algumas manobras pra me diferenciar. Como não tinha noção de qual o pé ficava no tail e qual nos parafusos, acabei aprendendo com o pé direito à frente.

Andei por muitos anos assim, e até o primeiro campeonato que ganhei quando era criança corri assim.

Eu não tinha acesso a vídeos e nem revistas, então achava que tinha criado algumas manobras estranhas misturando Freestyle e Street.

Quando comecei a andar na rua e conhecer outros bairros e skatistas, comecei a pular escada, rampa e gap. Foi aí que acabei quebrando o pé e tive uma distensão na virilha.

Passei um tempo sem andar, e quando voltei notei que meu pé não fazia mais o mesmo movimento circular. Como usava ele pra chutar Flip e Heel Flip, tive de passar a usar ele só para bater o tail e usar o esquerdo pra chutar as manobras. E deu certo.

Com o tempo, o movimento do pé direito foi voltando, e hoje tenho uma certa facilidade em algumas tricks de switch por conta disso.

TS: Fale um pouco das suas marcas!
ML:
 Eu tive patrocínio desde muito cedo e sempre tive acesso aos donos das marcas. Assim passei a entender um pouco sobre como é ter uma equipe e como tudo funcionava.

Quis ter uma marca para ajudar uns skatistas da minha região que eu sabia que tinham futuro e que ninguém ajudava. Sempre acreditei que o que faz a marca são os atletas, porque eles são o foco principal e eles que vão estar ali na rua te representando.

Eu também tinha a necessidade de usar algo que fosse criado do meu jeito, com as minhas ideias e com o material aprovado por mim.

Comecei pelo shape com a Infiniti. Assim que lancei os primeiros shapes de teste, que nem desenhos tinham, eu já peguei um atleta pra apoiar e testar comigo o material. Aos poucos fui pesquisando e criando desenhos bem básicos, mas divertidos. Ao mesmo tempo fui aumentando o número de atletas que eu ajudava.

O nome Infiniti veio da ideia de que o skate é algo infinito em todos os sentidos. Ele não tem limite e está em constante evolução.

Com as vendas aumentando, senti a necessidade de criar a marca de lixa Pause Grip. Depois de muita pesquisa, cheguei a um produto final de boa qualidade e baixo custo.

O nome Pause Grip é inspirado no momento que você para no ar durante uma manobra com o skate colado ou parado no pé.

Passei a vender outros acessórios e itens de marcas de outros amigos para ter variedade. Foi quando lancei uma loja virtual no Instagram e Facebook, a Hashtag Skateshop.

Vou lançar também uma marca de rodas em 2019, mas ainda não finalizei o produto.

Clique aqui para ver o currículo de Mario Lucena.