Rocca Vegas: O rock pulsa forte em Fortaleza

04 de abril de 2018 ● POR Tribo Skate

Conheça a banda Rocca Vegas, liderado pelo guerreiro Maurilio Fernandez, um dos maiores agitadores culturais de toda a região nordeste e que também está à frente da produtora Empire.

O vocalista tem suas raízes fincadas no skate, tanto que já teve uma banda de hardcore chamada Switch Stance. Confira a seguir um bate-papo com este grande figura, falando sobre esse novo projeto, novas influências e o mercado musical!

Por Helinho Suzuki

Oi Maurílio, quanto tempo! Você pode começar falando como começou seu envolvimento com a música?
Olá Helinho, satisfação em falar novamente. Faz tempo que não nos vemos hein? (risos). A música sempre esteve presente na minha vida. Desde cedo e, pelo que consigo lembrar quando eu tinha 12 anos, comecei a pegar onda e assistia alguns filmes de surf e me amarrava nas bandas que tocavam.

Sendo assim, passei a escutar rádio para ver se as bandas eram do estilo que gostava, comecei a gravá-las no microsystem e algumas dessas músicas em fitas k7. E por aí começou minha paixão por colecionar bandas e conhecer mais e mais artistas.

Quais as bandas que mais te influenciaram ontem e hoje no Rocca? Sei que você tem um pé no metal certo?
Venho da escola do Punk Rock, porém me considero um cara bem eclético. Escuto muita banda antiga como Pink Floyd, Midnight Oil, etc. E até vou passeando pelas bandas mais modernas como Capital Cities, Supercombo, Aectic Monkeys, City and Colour, que estou escutando no momento de responder essas entrevista. (risos)

Na Rocca temos muitas influências, somos uma banda em que os quatro membros têm um leque aberto. Algumas bandas que podemos destacar nesse caminho: Queens of the Sone Age, Foo Fighters, Rancore, The Killers, Death Cab For Cutie, Anberlin e por aí vai. (risos)

Sobre o pé no metal, isso é surpresa! (risos) Gosto das interpretações que as pessoas têm da Rocca mas pé no metal foi a primeira vez. Temos aí uma banda com muitos elementos de música eletrônica, guitarras e uma voz que é melódica passando aí até mesmo para o HC melódico.

Bem, esse é meu sentimento. O nosso segundo disco está mais minimalista e mais direto ao ponto! Acredito que teremos outras interpretações. 🙂

Em que momento da sua vida você descobriu o skate e como isso influenciou no seu lifestyle?
Descobri o skate quando tinha 14 anos, foi amor à primeira vista e isso há 27 anos atrás. Pego onda desde os 12 anos de idade e estava em uma praia que se chama Taiba, em um evento chamado “Circuito Drop lip de Sk8”. Tinha uma pista de street, um funbox e alguns corrimãos e rampas.

Aquilo foi fascinante, ver a galera andando e me lembro bem que tinha uma som no PA (sistema de som) tocando bandas como Ramones, Irno Maiden, etc.
Aquilo pra mim foi hipnotizante, saí dali com a ideia fixa na cabeça que queria ser skatista e sou até hoje; dou meus rolés e tenho passado meu legado para os filhos.

O skate, na realidade, influenciou em toda a minha formação e o que sou hoje. No skate conheci, ainda mais, sons ligados ao esporte e com isso montei minha primeira banda que se chamava (Switch Stance). Conheci vários amigos, inclusive muitos deles são os meus melhores amigos até hoje. Depois desse alicerce dentro do esporte que me apresentou o rock hoje, vivo de música e sou muito grato por tudo isso.

Você acabou montando o Switch Stance em homenagem ao carrinho não? A banda gravou diversos discos, rodou por todo o Brasil e infelizmente acabou. Imagino que vocês tinham diversos sonhos. Você acha frustrante todo esse trabalho que vocês fizeram e depois morrer na praia, digamos assim…
Sim, sim! O Switch Stance foi total sinergia com o carrinho. Bem, acredito que as coisas dão certo pelo tempo que tem que dar e com o Switch Stance não foi diferente.

Fizemos muita coisa, mas muita mesmo. Vivemos intensamente grandes experiências, brindamos, choramos, lutamos, nos endividamos, rodamos a metade do país, rompemos paradigmas e até nossos próprios limites foram vencidos com a jornada do Switch em nossas vidas.

Hoje, em conversa com os membros do SS, conversarmos às vezes sobre isso e agradecemos e vemos como a nossa história serviu para amadurecermos e nos tornarmos homens mais preparados para mundo, que aquela história na realidade era uma parte de um todo em nossas vidas. E que a vida continua e estamos aqui novamente na jornada da música com outras pessoas e vivendo novas e outras excelentes experiências.

A ideia de montar o Rocca Vegas veio em seguida? Fala um pouco sobre a proposta da banda, pois foge um pouco do hardcore melódico que você estava habituado…
Quando o SS acabou em 2006, demorei um pouco para entender que ali o seu ciclo tinha terminado ou mesmo dado uma pausa. Passei três anos para entender isso tudo e tomar uma grande decisão na minha vida. Passei três anos com muito rancor e decepção pela banda ter acabado.

Tinha perdido todo o romance e essência pela música que antes era muito aflorada e notória na minha vida. Não conseguia compor mais, só pensar em dinheiro e coisas superficiais enfim, minha vida tava um terror. Comecei a perceber que estava me distanciando, bebendo muito e com sentimentos muito baixo astral.

Num belo dia, assistindo um show tive um ‘insight’ que meu lugar era no palco e que ali eu poderia exorcizar todas as coisas ruins, era ali onde eu mostrava minhas ideias e minhas essência. Aí veio a decisão maravilhosa de montar o Rocca Vegas.

E a proposta do Rocca era justamente isso, fazer tudo que eu nunca tinha feito. Fazer tudo diferente do SS. Uma banda com inúmeras influências e principalmente eu deixando o ‘flow’ dos outros membros falar mais alto, coisa que eu não fazia muito no SS. Eu era muito controlador, um saco. (risos)

Você é um agitador cultural no Nordeste, está à frente da produtora Empire, está sempre levando bandas, fazendo festivais. Como você vê o cenário atual da música? A molecada está perdendo o interesse pelo rock?
Estou um pouco assustado com os caminhos que a música esta tomando. Na realidade está mudando a forma com que as pessoas estão escutando e consumindo música e pra que elas servem.

Estamos em uma geração de mudanças instantâneas e não sei realmente aonde isso vai parar, porém acho que o rock virou careta para essa nova geração. Vejo muito a música ligada aos comportamentos de gêneros e a música é o segundo plano. Bem, certo ou errado não sei se é a tendência.

Só sei que temos que fazer o que é de verdade, o que temos na nossa essência e procuramos fazermos o melhor que podemos. O resto é intangível e deixo pro universo nos guiar e que sigamos a evolução.

Os tempos mudaram e o CD não tem tanto valor para uma banda. Hoje está quase tudo concentrado em um smarphone, a música, a informação, divulgação, está tudo ali. Como o Rocca Vegas lida com esse novo mercado?
O Rocca Vegas é uma banda que os membros tem lá seus 30, 40 anos e vem de uma outra geração. Porém trabalhamos com música, cinema e artes visuais. Com isso deu para acompanharmos um pouco essa mudança e evolução .

Para falar sincero, sou o que tem mais dificuldade porém já me considero engajado. Os tempos são mais velozes e existem outras estratégias de marketing e de como divulgar sua música. Estamos aí aprendendo e vivendo esse momento que não se sabe se serão as mesmas estratégias daqui a três meses, está tudo muito rápido.

E qual é o futuro para você como pessoa e a banda?
O futuro é continuar sempre melhorando como pessoa, vivendo intensamente o que mais amo que é esse meu relacionamento com a música. Quero criar um núcleo de artes para pessoas idosas e crianças, além de desenvolver ainda mais os serviços e metas da Empire, que com sua missão deixemos um legado relevante para música.

Sobre o Rocca Vegas, temos muito caminho pela frente, muitos planos pro futuro. Estamos prestes a embarcar para nossa primeira tour pela Europa agora em maio, estamos lançando nosso álbum novo que chama ‘Líquido’ e que está sendo produzido pelo Leo Ramos.

Nossa meta é lançar a cada bimestre uma música/clipe. E estamos com uma agenda bem legal de show e alguns festivais já confirmados para 2018. Temos um ‘doc’ sendo produzido e alguns festivais internacionais sendo agendado. Nosso futuro está para o alto e avante!

Rocca Vegas

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