Traços e rabiscos Flávio Grão What's Up

“Traços e Rabiscos” de Flávio Grão


Na edição 251 da revista Tribo Skate o colunista Edu Revolback bateu um papo com o artista Flávio Grão.

Leia a íntegra da coluna “Traços e Rabiscos”

Nascido em Santo André e frequentador da lendária pista de skate de São Bernardo nos anos 80, Flávio Grão é um artista pioneiro na cultura underground. Prolífico, inquieto e envolvido em várias vertentes (fanzines, bandas, movimentos sociais), suas pinturas estão em galerias, capas de discos, museus e, assim sendo, é pra mim um dos melhores artistas plásticos em atividade.

Como define sua arte e seu processo de criação?
Minha arte é uma linguagem ou processo de comunicação que começou quando tinha por volta de três anos e que dá vazão a uma série de sentimentos, conflitos, pensamentos e reflexões ligados à existência humana e sociedade. Meu processo de criação começa quando me deparo com alguma situação ou fato que me faz pensar, o desenho surge como uma forma de tentar entender isso.

Geralmente faço desenhos e esboços em um caderno (sketchbook), acompanhados de anotações sobre as impressões que tenho do tema. Depois, estes desenhos podem ser passados para uma tela, papel ou outro suporte. Há também vezes que faço o trabalho direto no papel, sem passar pelo sketchbook, mas isto é mais raro.

Qual sua opinião sobre o papel da arte na sociedade?
Creio que arte cumpre funções importantes. A primeira é fazer pensar, refletir, resolver questões ou sentimentos. Isso se dá quando entramos em contato com a música, quadrinhos, literatura, teatro, cinema e também, é claro, com as artes plásticas. Outra função importante é a de libertação individual para quem a faz. O processo é muito libertador na medida em que você está refletindo sobre si e sobre questões do mundo. O processo de fazer arte é mais importante do que o produto.

Tome por exemplo a questão de ter uma banda, isto envolve encontrar amigos para ensaiar, coletivamente produzir e depois viajar o mundo com suas ideias. O som especificamente é uma parte de um processo todo muito rico.

"Traços e Rabiscos" de Flávio Grão

Páginas da coluna na edição de dezembro/2106

Destacaria quais capas de disco produzidas por você?
“Faces do Terceiro Mundo”, coletânea de 2002 de hardcore melódico que, na minha opinião, foi lançada no auge deste tipo de som no Brasil e até hoje tem gente que me procura por este trabalho. O “Sobre a Vida em Comunidade” de 2014, da banda potiguar Mahmed, cujo nome do disco é o nome de uma pintura minha que eles usaram como capa. E está pra sair um split de duas bandas punks que gosto muito e que tive a oportunidade de fazer a arte: “Renegades of Punk” e “Tuna”.

Ambas, além de um som que me cativa, têm posturas ativistas com filosofias que adoto e simpatizo como vegetarianismo, anarquismo, combate à preconceitos (homofobia e machismo). O EP chama-se Grão por uma coincidência, pois o tema do disco gira em torno das amizades e relações forjadas dentro do punk, como ela germina, floresce e etc.

E skatistas, artistas plásticos ou bandas que ajudaram na sua formação?
O skate é um esporte de certa forma libertário porque abre possibilidades infinitas na sua relação com a cidade, então é natural que muitos skatistas absorvam este espírito e acabem se expressando através da música, artes plásticas e etc. Um artista que é contemporâneo e faz isso tudo ao mesmo tempo é o Sesper, ou Farofa, que toca em diversas bandas e tem um trabalho de artes plásticas fantástico.

Meu amigo Fábio Luiz, ou Parteum, é um cara também que veio do skate e tem um trabalho como músico que admiro muito. Ouvir o que ele faz é se lançar no futuro. Do skate contemporâneo, gosto muito do Klaus Bohms, pois consegue trazer consigo um conceito visual e de atitude que conduz para um outro caminho. Acho importante que as novas gerações tenham referências boas, ele é uma.

Tem muitos artistas também com os quais eu convivo e com quem aprendo sempre e troco muita informação como o Fábio Gava, Brunno Balco, Rogério Geo, Robinho Santana e Daniel Melim, entre outros.

Veja mais trabalhos de Flávio Grão em flickr.com/photos/flaviograo

Por Redação Tribo Skate
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