Entrevista Twinpine(s): álbum novo a caminho What's Up

Entrevista Twinpine (s): álbum novo a caminho


texto: Eduardo Ribeiro | foto: Caio Augusto

Com recém-completos 13 anos dedicados ao rock alternativo, o quarteto paulistano Twinpine (s) se prepara para mais uma guinada em sua trajetória. Eles acabaram de lançar o clipe da novíssima faixa “Holiday Out” (veja logo abaixo), o primeiro registro da banda com a nova formação – agora são três guitarras. O som é uma amostra do álbum que chega em 2017 pela Hearts Bleed Blue.

O Twinpine(s) está na ativa há 13 anos. No entanto, vocês não parecem ser o tipo de banda que tem aquela noia de lançar coisas o tempo todo. Isso é resultado de um certo preciosismo ou vocês são desencanados mesmo?
Bruno Palma (guitarra): Claro que a gente gosta de pensar muito bem as músicas, os arranjos e tal, mas não diria que isso seja o grande causador desse espaço que existe entre um lançamento e outro. Isso se deve muito mais à vida que a gente leva. A banda não é a fonte de renda de nenhum de nós, o que faz com que não tenhamos o tempo e o dinheiro que gostaríamos de ter para dar mais dedicação a ela.

Magoo Felix (bateria): Acho que todo esse tempo de experiência acabou causando também essa preocupação com a qualidade. Talvez não pensássemos assim algum tempo atrás por sermos mais desencanados e termos nossos trampos, mas com o tempo fomos aprendendo a tomar certos cuidados com nossos material. No final das contas, essa vibe desencanada nos ensinou algumas coisas e uma delas é agir com mais calma e tranquilidade.

Como a proposta de som evoluiu desde que vocês começaram? Novas influências foram sendo absorvidas com o tempo?
Bruno: Sempre vamos absorvendo novas coisas, novas inspirações, e naturalmente isso vai se refletindo nas músicas. Ano passado, com a entrada do Alê, viramos um quarteto e isso já deu uma cara bem diferente para as músicas, com mais opções de arranjo para as guitarras e para as vozes.

Quando vocês compuseram a trilha sonora do Dirty Money, as músicas foram feitas sob encomenda mesmo, ou vocês já tinham um material para lançar e resolveram aproveitar esse gancho?
Bruno: Foram feitas sob encomenda, do zero. Pensamos no tema e procuramos desenvolver sons que entrassem na sintonia que a gente achava que precisava. Na real o Alê Vianna tinha pedido duas músicas inéditas, só que a gente se empolgou e fez três: duas com letra e uma instrumental.
Magoo: Além dessas inéditas, também regravamos para o filme uma versão instrumental da música “Soda Springs”, faixa do nosso disco de estreia, o Niagara Falls.

Quando vocês montaram o Twinpine(s), todos na banda já eram amigos de milianos e tinham os mesmos interesses musicais?
Bruno: Eu estudei com o Leo em 1994. O Leo estudou na mesma escola que o Alê, acho que em 2002. E o Magoo é amigo de longa data dos irmãos mais velhos do Leo. Ou seja, a conexão é antiga mesmo e as influências musicais são bem próximas também.

Magoo: A banda começou como um trio em 2003. Era apenas eu, o Leo e o Renato, nosso antigo guitarrista e primo do Leo. Com a saída do Renato em 2009 foi natural a entrada do Bruno, que, além de ser amigo do Leo de muito tempo, já fazia participações em alguns shows da gente. No ano passado, pra completar o time, veio o Alê, que também já era amigo da galera. É uma banda de amigos. Ninguém fez teste pra entrar na banda; foi tudo na brodagem.

O Twinpine(s) pode ser considerada uma banda nostálgica ou de revival? Pegando aí as similaridades com nomes com Nirvana, Lemonheads, Dinosaur Jr…
Bruno: A gente tem essa ligação com essas referências noventistas e tal, mas gostamos de muitas outras coisas, de muitos outros gêneros. E é difícil falar em revival também porque essas coisas vivem voltando, né? Até o Milkybar voltou a chamar Lolo.

Magoo: As referências principais obviamente nos levam a esse tipo de sons alternativos dos anos 90, mas, como o Bruno disse, nós ouvimos de tudo. Cada um na banda, apesar de ter sua conexão com o indie, tem também gostos completamente diferentes em outros gêneros musicais e de alguma forma isso se reflete na hora de compor. Acho que isso também dá uma cara pro nosso som.

Falem um pouco sobre a relação dos integrantes da banda com o skate.
Bruno: Não tenho nenhuma. Meus vizinhos andavam de skate. Eu só curtia os sons que eles mostravam mesmo. Meu talento esportivo é inexistente.
Magoo: Bom, eu sou o tiozão da banda, né? Comecei a andar de skate ainda nos anos 80, mais precisamente em 1987. O skate desde sempre foi um background cultural pra mim, não só no esporte, mas nas referências visuais, na moda, no comportamento e, claro, na música.

Houve um tempo em que o som que a galera ouvia na cena do skate, nas trilhas, era bem mais punk/hc, alternativo e rockão anos 70. Hoje, porém, a gente percebe que nego anda botando até EDM e trap music nas trilhas. O que vocês pensam disso?
Bruno: Tudo muda, o tempo todo. Não adianta ter esse apego, se não a gente vira tio ranzinza do rock. As bandas que a molecada conhece como indie hoje em dia, por exemplo, essas bandas que tocam no Lollapalooza, não é o que a gente teve como referência de indie. Mas hoje é assim. E é uma bosta falar: “No meu tempo era melhor”. Existe ainda essa forte relação do skate com o punk e o guitar, onde a gente meio que tá inserido, mas é super natural que outros gêneros entrem aí pra somar. Eu acho é bom.

Magoo: Cara, eu comecei a andar de skate ainda nos anos 80, quando a trilha sonora das sessions era o hardcore e o punk. Vi isso mudar nos anos 90, com a entrada de sons indies nos vídeos, e na metade dessa mesma década ainda teve a inclusão do ska, do hip hop e tal. Hoje em dia tá mais individual, cada skatista tem seu gosto pessoal e os vídeos são mais democráticos. Você pode escutar Sonic Youth numa parte de um atleta e de repente ouvir um Emicida e até uma Björk mandando um som mais sintetizado. Acho sadia essa mistura. Faz o skate ser mais aberto.

O Twinpine(s) sempre foi uma banda independente? Fechar com um selo como a HBB a essa altura da carreira significa que o “faça você mesmo” não dá conta do recado?
Bruno: Sim. A gente sempre foi uma banda independente, mas que contou muito com a ajuda dos amigos ao longo desse tempo todo. A gente decidiu trocar essa ideia com a HBB porque a gente precisava ter mais estrutura, mais organização. É super possível ficar no “faça você mesmo”. Tem gente que fica. Mas a gente foi buscar essa parceria pra agilizar a vida. Nós já acompanhávamos o trabalho do selo e temos alguns amigos de bandas que estão no casting. Os caras são ponta firme e já conheciam nosso trampo também, então foi um processo bastante tranquilo.

Magoo: Buscar a HBB foi realmente uma forma de se organizar melhor, com distribuição de material e alcançar novos horizontes. A gente continua trabalhando como sempre trabalhou, suando a camisa e correndo atrás, e a HBB entrou pra ser mais um braço pra dar força nesse trampo que é fazer música autoral independente no Brasil. Estamos muito animados com esse novo caminho.

Por que o “s” de Twinpine(s) é colocado entre parênteses na grafia do nome da banda? Vocês acreditam em numerologia, essas coisas?
Bruno: Não, não. É por causa do De Volta Para o Futuro [nota do repórter: “Twin Pines Mall” é o nome do shopping onde Marty McFly encontra Doc Brown antes da viagem no tempo]. Ninguém é muito esotérico na banda.
Magoo: Existem muitas respostas pra isso, desde ser apenas um jeito diferenciado de escrever até citações e acontecimentos do filme. No final das contas, podemos dizer que é apenas um detalhe visual mesmo.

“Holiday Out”, o som do clipe novo de vocês, traduz legal o clima do próximo álbum a caminho? A quantas anda a produção desse disco anunciado para o ano que vem?
Bruno: “Holiday Out” ainda foi gravada no formato trio, então acho que vai vir um pouco diferente. Estamos finalizando as composições, fazendo uns ajustes nos arranjos e ensaiando pra arredondar tudo. Vamos começar a gravar ainda esse ano.

Por que vocês demoraram tanto para fazer um primeiro clipe? Houve outras tentativas frustradas antes da realização deste?
Bruno: Meio que nunca rolou mesmo. Tempo, dinheiro, trapalhadas mil.
Magoo: Olha, pensar em fazer já pensamos milhares de vezes, mas foi passando. A gente não se organizou e assim foi. Ano passado rolou esse interesse do Alê Vianna em entrar nessa com a gente e fazer um clipe bem legal e deu nisso. Demorou quase dois anos entre a gravação da música, mudanças de ideias e roteiro até a finalização das filmagens, mas valeu a pena cada dia de espera porque o resultado ficou excelente.

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twinpinesmusic.bandcamp.com

Twinpine (s) na Tribo Skate #248

Por Redação Tribo Skate
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