Candy Sessions

03 de novembro de 2016 ● POR Redação Tribo Skate

Na edição 249 da revista Tribo Skate, um dos artigos em destaque é sobre o vídeo “Candy Sessions“, projeto do skatista baiano Álvaro Koringa.

Leia o texto produzido por Fernando Gomes e assista ao vídeo.

Álvaro Koringa, frontside 50-50. (Fernando Gomes)

Álvaro Koringa, frontside 50-50. (Fernando Gomes)

Nova produção underground brasileira vem das ruas nordestinas e surpreende pela sinceridade e nível de manobras executadas por skatistas que você talvez não conheça ainda, mas que deve prestar atenção.

Já faz algum tempo que os skatistas do Nordeste vêm se familiarizando com a expressão Candy Sessions, que dá nome ao vídeo idealizado pelo baiano nômade Álvaro Koringa. Para além de ser mais um vídeo de Skate, o Candy Sessions representa o espírito faça-você-mesmo com que ele e a crew que faz parte do projeto conseguiram produzir um material que surpreende pela sinceridade em cada parte, em cada manobra, em cada take. Para capturar cerca de 40 minutos de muito skate, Koringa viajou (muitas vezes pegando carona em beira de estrada) pelos estados da Bahia, Alagoas, Paraíba e Pernambuco durante mais de dois anos, manobrando e filmando.

O vídeo surgiu do incômodo com a escassez de iniciativas que deem visibilidade digna ao Skate vivenciado nas ruas do nordeste. Foi o que o levou a investir numa câmera, apertar o rec, dar o melhor de si nas sessões e incentivar seus amigos a fazerem o mesmo. “Sempre enxerguei um bom nível de skate em meus companheiros de sessão e percebi que precisava expor isso ao resto do mundo. Foi a partir disso que, com muito esforço, comecei a filmar esse vídeo que é gravado inteiramente no nordeste”, conta Koringa.

Além dele, os skatistas Pedro Victor, Andy Shady, Diego Pereira, Jânio Charada, Pedro Lima e outros nomes de talento fazem parte dos responsáveis pelas tricks que compõem o vídeo. Em formato tradicional, o vídeo é separado por vídeo-partes em que as trilhas parecem ter sido escolhidas cuidadosamente de acordo com a personalidade de cada um dos skatistas e uma parte de amigos que conta com nomes como Lehi Leite e Felipe Oliveira. O resultado é muita essência do Skate se mostrando viva, retratos de sessões cheias de vivência e amizade, sem celebridades nem regras de mercado. Aliás, sem nenhum tipo de regra. Skate puro e sincero, inclusive sem medo de assumir uma estética tosca, o que pode causar certo estranhamento nos olhares mais acostumados com superproduções. A estética underground nessa produção é mais do que uma escolha, é talvez a única escolha. “Para mim, a tecnologia de alguns vídeos atuais está mostrando um Skate mais imagem que essência e essa tendência de vitrinizar o Skate está tirando justamente o verdadeiro sentido que ele tem pra mim: quebrar as vitrines”, afirma Koringa.