Cair faz parte: torção do tornozelo

18 de dezembro de 2018 ● POR Tribo Skate

Texto por Dra. Bárbara Herrero

Pergunte para qualquer skatista qual a lesão mais frequente que ele ou ela já teve. Certamente a resposta será a torção do tornozelo.

O trauma dessa articulação, além de ser uma lesão comum entre os praticantes dessa modalidade, é uma das lesões mais frequentes dentro das atividades físicas como um todo, correspondendo a cerca de 10% a 15% de todas as lesões do esporte.

O mecanismo normalmente acontece quando apoiamos o pé em uma superfície instável, “prato cheio” no skate, onde manobras se baseiam na aterrisagem num plano instável e em movimento.

A estabilidade do tornozelo é mantida por um complexo ósseo e ligamentar.

De uma maneira geral, existem duas formas de entorse: a inversão (quando o pé vira para dentro), que é mais comum, e a eversão (quando o pé vira para fora).

Arte: Bárbara El Zein @bzein
A primeira maneira é a inversão, a mais comum de todas, o pé vira “para dentro” e é esperada lesão do ligamento talofibular.
A segunda maneira é a eversão, um pouco mais rara, o pé vira “para fora” e esperamos lesão do ligamento deltoide.
A terceira maneira é a torção, nela esperamos lesão do ligamento tibiofibular

A gravidade pode variar desde estiramentos ligamentares, rompimento totais de um ou mais ligamentos, até fraturas complexas da fíbula e da tíbia que necessitam de cirurgia, por isso uma avaliação médica é imprescindível.

Não pense que somente aqueles 15 minutos de gelo vão resolver o problema.

De acordo com o protocolo desenvolvido pelos ortopedistas (“Ottawa Rules”) a realização de radiografia é necessária quando houver dor em pontos ósseos específicos ao dar pelo menos quatro passos ao caminhar.

A ressonância magnética pode ser indicada nos casos de persistência da dor após três meses da lesão inicial, com o objetivo de investigar lesões associadas, como fissura osteocondral, do impacto ântero-lateral e identificar lesões ligamentares crônica.

Recentemente, durante o campeonato Oi STU Open, a atleta Bia Sodre (@biasodre) sofreu um entorse de tornozelo e rompeu completamente os ligamentos tibio-fibular anterior, tíbio-fibular posterior e talo-fibular anterior, e no momento está afastada para recuperação.

É importante não subestimar o ocorrido, pois muitas vezes, se não tratada corretamente, a lesão pode evoluir para uma instabilidade crônica e desgaste de cartilagem, e assim, podem ocorrer entorses de repetição e dor crônica.

Afim de evitar o trauma, recomenda-se:

1) Fortalecimento da musculatura do pé / tornozelo: por meio de exercícios de propriocepção

2) Uso de órtese de proteção de tornozelo

3) Na ocorrência do trauma: Bolsa de gelo local por 20 min, enfaixamento, manter o membro sem carga e elevado e procurar o pronto socorro.

Lembre-se: “skate é arte, cair faz parte”, mas se cuidar também faz parte se você planeja se manter bastante tempo em cima das rodinhas.