Entrevista AM: Franco Poloni, Entre Mundos

29 de agosto de 2018 ● POR Tribo Skate

Arquivo Tribo Skate

Matéria originalmente publicada na Revista Tribo Skate 257
Texto: Rafael Webber / Fotos: Wanderley Vieira

Franco é daquela geração de skatistas que iniciou no fim dos anos 90 e começo dos 2000. Tem algo peculiar nesses caras, uma mistura de streeteiragem com um leve resquício da agressividade de épocas passadas, o que nos leva a nunca saber o tipo de pico que veremos ele andando e como ele vai andar. Mas uma coisa é certa: ele vai trazer algo inusitado e vai ser uma bomba. No final, a diversidade do seu estilo acaba sendo a sua definição. Essa é a impressão que tenho assistindo qualquer vídeo parte dele, e nessa entrevista você vai ver o mesmo.

Entrevista: Franco Poloni, Entre Mundos

Você é natural e residente de Caxias do Sul (RS), certo? Pensa em se mudar ou está firme nessa localização?
Sim, mas já passei um tempo morando em Porto Alegre e tenho vontade de repetir a experiência em outras cidades.

Mesmo não tendo muito contato contigo, acompanho seu corre há anos, lembro de ver materiais da Vulgo Family. Pode nos contar um pouco do que foi essa parada?
Nossa, você lembra? Que style! Vulgo Family era uma marca original e autêntica que estava surgindo em 2007. Idealizada pelo skatista caxiense Carlos Pezzi; fazia roupas diferenciadas e únicas. Fiz parte da marca, junto com Patrick Vidal, Diego Mattos e outros manos. Me infuenciou muito, era da hora! Infelizmente a marca logo teve de parar suas atividades. Incrível como marcou, mesmo sendo do interior e há tantos anos. #VoltaVulgo

E a Levita Skateboards, quando e por que começou?
Foi justamente enquanto me recuperava de uma lesão na perna. Sempre tive vontade de ter algum negócio relacionado ao skate. Seria uma forma a mais de me conectar com o skate e poder influenciar ativamente o mercado de forma positiva, fazendo aquilo que sempre esperamos das marcas. Mesmo não estando preparado, pesquisei e imaginei vários cenários, então achei que era hora de começar, sem pressa. Deduzi que shapes nacionais de qualidade eram uma carência. Então me aprofundei na ideia e acabei comprando uma prensa. Depois descobri que precisava de muito mais (risos), mas no fim consegui fazer um shape aceitável e vi que era bom fazer shapes bons no Brasil.

Quando penso em skatista correria, logo me vem sua imagem. Como é levar uma carreira de skatista que viaja tanto e ainda tocar uma marca?
É uma experiência e tanto. Viver o skate de dois pontos de vista diferentes, vai amadurecendo sua visão. E é bem corrido mesmo, estou me adaptando constantemente pra dar a atenção devida pra cada coisa.

Entrevista: Franco Poloni, Entre Mundos

Nesse ponto temos algo em comum: também passei uma fase da minha vida fabricando shapes. Você ainda mete a mão em tudo ou tem funcionários ajudando?
Sim eu lembro, da hora! A produção é bem artesanal ainda. Já tive ajuda por um período, mas no momento sou só eu mesmo.

E essa lesão que você mencionou, como foi essa fita? E como tem sido seu retorno e os cuidados?
Foi durante o DC King em São Paulo, em 2012. Quebrei a perna tentando um ss fifty no corrimão em Itaquera, fui logo levado pelo pessoal do evento a um hospital próximo e lá esperei até descobrir que teria que fazer cirurgia. Então o médico se ofereceu no lugar da enfermeira pra me levar e fazer a imobilização. E no meio do caminho ele me convenceu que seria melhor eu sair do hospital por conta própria e procurar o SUS na minha cidade, senão todo o tratamento seria em São Paulo, ou a transferência seria burocrática e demorada. Depois de ser ignorado várias vezes pelos enfermeiros (que estavam na maior correria), consegui me comunicar com o Patrick Vidal e o Lucas Pacífico (da Legitime), então saí pulando da emergência até a portaria onde eles me esperavam. Fomos para um hotel e consegui uma passagem pra Caxias no dia seguinte. Chegando aqui, fui ao hospital e deu tudo certo, fiz a cirurgia quatro dias depois, bem no dia do meu aniversário (risos). A recuperação foi boa. Fiz bastante fisioterapia e cuidei da alimentação. Em 6 meses comecei a dar umas remadas; então foi um processo natural pra recuperar força e confiança. Hoje em dia ando normal, mas busco sempre fortalecer com exercícios e cuidados com o corpo de várias formas, pra continuar andando e evoluindo.

Entrevista: Franco Poloni, Entre Mundos

Acabei de assistir IDEIAS 2 e estou de cara com tantos combos e manobras que até então nunca havia visto. Como foi filmar para este projeto?
Style que curtiu, mano! Nós já tínhamos algumas manobras filmadas e surgiu a oportunidade de fazer a parte, através de Leo Coutinho e Julian Eduardo. Então eu e o Julian focamos nas sessões até a deadline. Como ele mora há cerca de 90 km de Caxias, fomos filmando aos poucos, por Porto Alegre e no interior do RS, e fizemos algumas trips em SC, SP e RJ. Também filmei algumas manobras com o Tulio Lahm, que cola conosco na missão aqui na Serra.

E o orgulho de estar num projeto dessa amplitude, dividindo espaço com skatistas como Paulo Galera, Alex Carolino e tantos outros nomes?
Realmente arrepia quando assisto! Foi uma grande honra pra mim, fazer parte da continuação de um vídeo que eu sempre curti e que já tinha participações pesadas na primeira edição. Tanto de skatistas como na produção, só monstros. Sou grato ao Olho de Peixe, Léo Coutinho e Marco Savino pela oportunidade e fé. E ao Julian Eduardo pelo empenho, dedicação e paciência pra deixar a parte visualmente redonda. Obrigado, manos!

Entrevista: Franco Poloni, Entre Mundos

Você tem parte também no vídeo da Dyzen e algumas aparições em vídeos como Simplesmente e Entre Estações: é um skatista de imagem. Qual sua opinião quanto a campeonatos e a tal da Olimpíada?
Sobre competições, eu gosto mais de competir comigo mesmo (risos), mas valorizo os bons eventos; ali rola uma energia especial. Vejo que hoje em dia a grande massa é atraída pela competição e o skate está aí, despertou interesses. Olimpíadas são um processo que estamos passando e o grande detalhe é a imagem que vamos passar. Acho que devemos usar isso a nosso favor e propagar a cultura. Aproveitar a atenção e mostrar nas entrelinhas o que o skate pode ser.

Quando veremos uma madeira com seu nome nela?
Então, acredito que isso é algo que pode acontecer naturalmente conforme a marca e meu corre se desenvolverem, mas não tenho pressa pra fazer um shape com meu próprio nome. Sinceramente acho até estranho (risos). Gostaria que fosse um complemento e não depender disso a profissionalização, saca?

Talvez o segredo de ter um nome estabelecido no mercado não seja ser “o conhecidão” na grande esfera, mas sim orbitar em vários pequenos mundos e fazer a diferença lá. Quais são os planos para 2018?
Simplesmente 5! E como você disse, orbitar em alguns outros mundos, projetos e continentes (risos). Mas principalmente, continuar me divertindo em cima do skate!