Yndiara Asp: De Floripa para o mundo

04 de setembro de 2018 ● POR Luis Farina

Yndiara Asp (@yndiaraasp) é um dos principais nomes do skate brasileiro de transições. A catarinense de 20 anos de idade é figurinha carimbada nos pódios das principais competições nacionais e internacionais de park, uma das modalidades de maior destaque dos últimos tempos. Sua coleção de bons resultados lhe garantiu uma vaga na primeira seleção nacional, cravando para sempre seu nome na história do skate brasileiro. Durante a passagem da skatista por São Paulo para a disputa do Oi STU Qualifying Series na Vans Skate Park, Yndi conversou com exclusividade com a Tribo Skate sobre seu início no skate, como a cena de Floripa lapidou o seu skate e a sensação de fazer parte da seleção brasileira.

Você começou a andar de skate mais velha. Qual foi a sua motivação?
O meu primeiro contato foi quando eu tinha 7 anos, e ganhei de um skate de presente de Natal do meu pai. Desde pequena, sempre surfei com o meu pai e joguei futebol. Sempre fui dos esportes. Então eu sempre tive skate e brinquei, mas nada sério. Com 15 anos de idade, uns amigos que já andavam me convidaram para ir na pista de um deles. Lá eu aprendi a andar. Eu passei a ir todos os dias para a pista. Nunca mais parei.

Yndiara Asp: De Floripa para o mundo

Quanto tempo levou para você perceber que tinha jeito pra coisa?
Fui evoluindo naturalmente. Comecei a participar e ganhar campeonatos. Fui cada vez mais me divertindo com o meu skate, e ele foi me levando para vários lugares e as coisas foram acontecendo.

Como Florianópolis ajudou a moldar o seu skate? Quem são suas inspirações?
Acho que meu skate tem muitas influências de Floripa, de onde sou, e de Pedro Barros e Vi Kakinho, que construeram toda essa história. Os bowls lá de Floripa formaram meu estilo de skate. Agora tenho viajado o mundo e andado em várias pistas, andado mais de street. Em Floripa eu não andava muito de street, era mais bowl. Agora tem os parks, que é a modalidade que andamos. Estamos nos atualizando, mas o meu estilo de skate vem dessa influência de Floripa.

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Eu sei que o seu pai pega onda. Você surfa?
Eu surfo desde pequena. Comecei a surfar antes de andar de skate. Surfo até hoje. Amo surfar, para mim, é uma das coisas mais incríveis do mundo. A conexão com o mar e com a natureza. Mas hoje em dia é skate em primeiro lugar e surf em segundo.

Além do skate, você tem alguma outra paixão?
É o surf, com certeza.

Você coleciona pódios e bons resultados em competições. Da onde vem esse seu amor pelas disputas?
Acho muito da hora. As competições ensinam muito sobre a vida. Competições não são apenas manobras e resultados, você tem de estar conectado com o skate, com o momento. A competição é um lugar para eu me testar e aprender a me conectar comigo mesma. É uma forma de eu saber o que consigo fazer, o que preciso fazer para me acalmar, o que preciso fazer para me concentrar. Também adoro encontrar toda a galera e curtir essa vibe toda. Cada campeonato é uma experiência nova, um aprendizado novo, uma alegria nova.

Yndiara Asp: De Floripa para o mundo

Você sonha em ter seu próprio modelo de shape?
Com certeza! (risos) O sonho de qualquer skatista é ter o seu pro-model de shape. Espero que um dia isso aconteça e seja muito irado. Espero que eu curta, e que a galera curta.

Na sua opinião, quais são as dificuldades de ser uma skatista mulher?
Tem toda a coisa do preconceito, e das marcas não apoiarem tanto. Mas eu procuro ver sempre o positivo. As coisas estão melhorando. Já estão começando a igualar as premiações. Estão começando a respeitar mais. O skate feminino também vai estar nas Olimpíadas. O importante é evoluirmos e respeitarmos a todos, não importando se a pessoa é menino ou meninas, se é mais velho ou mais novo, qual é a classe social. Nada disso importa.

Yndiara Asp: De Floripa para o mundo

Você estava fazendo faculdade de Educação Física? Conseguiu concluir os estudos?
Eu cursei por dois anos e tranquei. Chegou um momento que eu estava muito dividida entre os estudos e o skate. Eu percebi que todos que estavam ali estavam focados naquilo, e eu estava focada em andar de skate. Eu parei e falei “esse é o meu momento de andar de skate”. Dai eu comecei a viajar muito mais, e as oportunidades começaram a surgir. E está tudo acontecendo aqui.

Qual é a sensação de fazer parte da seleção brasileira?
É muito da hora fazer parte de uma equipe. Temos todo o apoio, com psicólogos e medicos. Vamos até ter uniforme. Vai ser muito legal. Eu gosto muito de esportes e todo esse conceito de time e poder torcer um pelo outro. Já fazemos isso, mas agora vamos ter mais apoio e suporte para continuarmos melhorando no skate e poder viver de skate.