Tríplice Coroas: A batalha de Sapiranga

03 de maio de 2019 ● POR Cesar Gyrão

Fotos: Fredi Manica

Em seu ano de estreia na categoria grand master, Júlio Feio parte no meio da semana do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul de avião. Marco Aurélio Jeff, embalado pelo recente lançamento do seu documentário, se envolve na minha trip com o Juarez Mascarello e saímos de carro de São Paulo rumo ao evento. Aos 50, ele também estrearia em categoria nova, a grand legend.

Marco Aurélio Jeff, invert

De Floripa, partem muitos, entre eles Fernando Gomes, Rafael Nascimento, Fredi (fazendo o papel de registrar tudo em fotografia e vídeo) e seu filho Tuco. Seguindo uma tour que saiu de Floripa para Belo Horizonte, para São Paulo, novamente para Floripa em direção ao Sul, Marcelo Colella é mais um dos forasteiros na primeira etapa do circuito Tríplice Coroas, em sua segunda edição.

Marcelo Colella, fs air

Não é fácil se deslocar de tão longe para uma competição de skate, mas quem se habilitou a viajar, não se arrependeu. Uma das grandes atrações é o excelente Skate Park da cidade de 78 mil habitantes, a cerca de uma hora de Porto Alegre e que já tem seu nome cravado como destaque em esportes alternativos por seu histórico com o voo-livre e mountain bike. No ano passado, após a consagração do espaço ao sediar uma etapa dupla (street e park) do Oi STU Qualifying, quem já conhecia quis voltar e quem não conhecia ainda o espaço, aproveitou a oportunidade.

Panorâmica do park

O Park é realmente amedontrador. Com paredes altas, um bowl com cerca de 3,50m de altura, uma curva em oververt, rampa reta e ampla, um hub central que conecta as quatro partes, tem-se que ter fôlego para usar todo o espaço e pontuar nas linhas. Desafiador. As partes mais baixas têm mais que 2m de altura. Manter um rolê de 45 segundos em alta rotação é o desejo de todos, mas nem todos conseguiam.

Bernardo Fraga, fs air one foot

Ao contrário da primeira versão deste circuito criado para ser Old School (de veteranos), este ano os organizadores aceitaram a sugestão de incluir as categorias de base, conforme as novas diretrizes da CBSK (Confederação Brasileira de Skate). Foi um bom número de competidores, numa conta em que todos puderam andar decentemente nos treinos e depois se puxar nas três linhas de competição, sendo que a melhor seria computada para a classificação.

As categorias de base

A escola de skate gaúcho de transições fez bonito. Ryan Tanque, de Porto Alegre, finalmente vence seu primeiro campeonato, após bater na trave diversas vezes. Gabriel Martens, de Esteio, veio na cola com o pelotense radicado em Floripa, Tuco Manica, em terceiro. Como muitos já sabem, a nomenclatura iniciante não condiz com as habilidades destes monstrinhos!

Ryan, fs smith oververt

Seguindo com a liderança gaúcha, a prova feminina foi vencida pela Mariana Menezes (de Porto Alegre), que vem treinando há pouco tempo com o mestre Allan Mesquita. Com manobras diversas conectadas nas várias partes da pista, Mari venceu com apenas um ponto de diferença a experiente Deise Reis, de Campo Bom. Não muito atrás, veio a moradora de Garopaba, Érica Leguizamon. As crianças Lara e Mai também andaram muito.

Marcus Vinicius, invert

Érica, transfer

Entre os amadores, Bernardo Fraga foi com uma disposição impressionante para cima dos cantos mais críticos do park. Uma de suas armas era um frontside air one foot bem na cara dos juízes, os profissionais Tomás “Tomate” Guedes, Gui Zolin e Allan.

Mesquita. Estreando entre os amadores após vencer no ano anterior como iniciante, Lorenzo Salazar provou ter feito o certo, mostrando um skate power para o segundo lugar. Em terceiro, Lucca Negrini, outro com muita base. O detalhe é que todos os competidores desta classe eram do RS.

Marcus Vinicius, invert

A vez dos coroas

Dos sete inscritos para a categoria master, dois eram catarinenses: Araken da Luz, de Criciúma e Carlos Cheirinho, de São José. Os demais, todos gaúchos. A vitória ficou com o Bernard, de Esteio, com segundo para o Igor Vargas (São Leopoldo) e terceiro para o Tomás (de Novo Hamburgo). Com exceção do Cheirinho, estes competidores ainda não saem muito de suas bases para correr competições fora. Para isso o Tríplice Coroas serve: chamar mais e mais skatistas para o intercâmbio dos campeonatos.

Agora entre os grand masters essa experiência de circular o Brasil para competir estava em nome de Júlio Cesar Vasconcelos, o Feiox, do Rio. Há alguns anos o carioca cola em praticamente todos os eventos e via de regra vence ou está entre os três primeiros. Tanto que acumula vários títulos na categoria master, iniciando bem agora como grand master. Rafael Nascimento, de Floripa, estava no apetite de andar, mas seria bem difícil chegar junto da constância e da variedade de manobras do Feio. Com dor nas costas, o paulista radicado em Floripa, Marcelo Collela, conseguiu emplacar o pódio em terceiro. O paranaense radicado em Gramado, Marcelo Formiga, foi o quarto. O restante da bateria era composto por gaúchos.

Marcelo Formiga, fs air

Rafael Nascimento, 50

Muito competitiva a prova legend, mas com uma distância considerável do Fernando Gomes de Floripa, para os demais participantes. Este é outro que vem colecionando títulos, com uma constância absurda, a ponto de vencer com qualquer uma de suas três linhas! O bowl de Guaíba, cidade que terá novamente sua etapa do Tríplice Coroas, burilou o skate do Juliano Rybarczyk e ele conseguiu chegar em segundo com certa folga sobre o terceiro, o paulista radicado em Garopaba, Daniel de Mauro. É bom lembrar que o quarto colocado, Dinho Rejane, é paulista e mora em Porto Alegre e um dos responsáveis por trazer a galera de fora para o circuito desde o ano passado.

Sabe aquela velha função que poucos conseguem, de “assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”? Pois Alessandro Miquim, de Novo Hamburgo, representou bem esse papel. Ele está entre os organizadores desta etapa, ao lado do Luís Henrique Punk e do Mirco Coronetti. Quando o Punk correu entre os legends, Miquim assumiu a locução. Trocaram de função e Miquim foi fazer o seu rolê. Aos 50 anos, Alessandro parece estar em sua melhor forma! Como aconteceu com o Fernando na legend, Miquim contabilizaria qualquer uma de suas três volta como a melhor da categoria. Distribuiu marretadas no bowl, com os mais lindos sad plants ou fs handplants, aerials, bordas no oververt usando o hub para mudar de sentido e utilizar os quatro cantos da pista.

Alessandro Miquim, fs handplant

Marco Aurélio Jeff também estreou na categoria fazendo o que sabe fazer e foi o segundo, com terceiro para um empolgado Evandro Luís, skatista de Volta Redonda radicado em São José dos Campos.

Evandro Luis, fs air

Entre os mais velhos dos mais velhos, a categoria vintage, o domínio foi mais uma vez gaúcho. O Dr. Lucas Teixeira conhece o lugar e tinha suas linhas montadas. Fs air e grinds no bowl, boa estendida nas demais partes. Renatão, também, distribuiu sua especialidade, o frontside, em todos os cantos. Eu cheguei em terceiro, salvo pela última volta em que entrou o bs carving grind no bowl e um rock’n’roll. Entre os amigos, a classificação poderia ser qualquer uma outra, pois estávamos muito próximos nas habilidades. Quem realmente não conseguiu emplacar o seu melhor skate, foi o Laércio Pescoço (Florianópolis), ex-profissional que tinha as melhores manobras, mas não conseguiu finalizar uma única linha.

Expectativa para o circuito

Essa foi a abertura do Tríplice Coroas, desta vez abraçando as categorias de base e criando assim a base seletiva para os eventos da modalidade para a CBSK, no tocante ao Rio Grande do Sul. Agora entraremos num período de espera para a sequência do circuito, que será retomado mais para o fim do ano. Aguardem a confirmação das etapas de Viamão (Swell Skatepark) e de Guaíba. Quantos pegarão a estrada para as próximas paradas?

Galeria de fotos

Resultados

Iniciante

1º – Ryan Rafael Tanque (Barrapool, Complex)
2º – Gabriel Martens (PSH, Cepe, Swell, Revenge)
3º – Tuco Manica (Urbanboard, Hauzimob, Palm, Consulfit)
4º – Gabriel Teixeira (sem patrô)

Feminino

1º – Mari Menezes (Surf Roots, Protections, Villeroy, Comply)
2º – Deise Reis (Mary Jane)
3º – Érica Leguizamon (Oasis Surf, Bebeli Kids, Hondar)
4º – Lara Vargas (Lisco, Wainui, Storm Bar, Cuscoloko, Céu)
5º – Marina Braurer (sem patrô)

Amador

1º – Bernardo Fraga “Bê” (Flip, Surf Roots, Silver Trucks, Faith)
2º – Lorenzo Salazar (Espinafre Surf, Advance)
3º – Lucca Negrini (sem patrô)
4º – Marcus Vinicius (PSHskateshop)
5º – Silvio Marques (João Tintas)
6º – Jackson Duarte (North Sul, Califa Skate, Shore)
7º – Vitor Della Nina (LSJ Skate)
8º – Claudimer (sem patrô)

Vintage (55 e mais)

1º – Lucas Teixeira (Skate Bag, Yerbah)
2º – Renatão D’Oliveira (Skate Bag)
3º – Cesar Gyrão (Cross Bones, Tribo Skate)
4º – Leonardo Gianotti “Cuca” (Lay Back Beer)
5º – Juarez Mascarello (Alpha Metalização, Skate Bag)
6º – Bayard Feltes (Wainui)
7º – Laércio Woytuski (João Tintas, Onze Skateshop)
8º – Marcelo Chagas (sem patrô)

Grand Legend (50 a 54 anos)

1º – Alessandro Reis “Miquim” (Freeday, Crossbones, Duelo, Kbelos, Mirco Acupuntura)
2º – Marco Aurélio Jeff (Urgh, CSteam, Crazynboard, Corinthians)
3º – Evandro Luis Silva (Oddz, Vahlent)
4º – Josué Menezes (sem patrô)
5º – Alexandre Tonel (Qix)

Legend (45 a 49 anos)

1º – Fernando Gomes (João Tintas)
2º – Juliano Rybarczyk (Noronha Roots, AUS)
3º – Daniel de Mauro (Crossbones)
4º – Dinho Rejane (Anarquia)
5º – Luis Henrique Punk (PSHskateshop)
6º – Dirceu Rodrigues Junior (Deka Sushi, Ginga Cerveja)
7º – Mirco Coronetti (Mirco Acupuntura)

Grand Master (40 a 44 anos)

1º – Julio Vasconcelos “Feio” (Fast Fix Informática)
2º – Rafael Nascimento (sem patrô)
3º – Marcelo Colella (sem patrô)
4º – Marcelo Pereira “Formiga” (Boneless Tattoo)
5º – Márcio Pinto (Rede Clip, Faction Desenvolvimento)
6º – Ronaldo (sem patrô)
7º – Alex Pasqualotto (Blue Ramp)

Master (35 a 39 anos)

1º – Bernard (Skate Treino, Surf Roots)
2º – Igor Vargas (Wainui, Céu Bar e Arte, Storm Bar)
3º – Tomás Strecker (sem patrô)
4º – Carlos Alberto “Cheirinho” (João Tintas, Mama Cavalo, Drop Dead)
5º – Rafael Ramos (sem patrô)
6º – Arakem da Luz (sem patrô)
7º – Everton Sanches (sem patrô